Novas projeções climáticas internacionais elevaram o nível de preocupação entre cientistas e organismos meteorológicos ao apontarem a possibilidade de formação de um episódio de El Niño de intensidade excepcional ao longo de 2026.
Os modelos mais recentes sugerem que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial poderá alcançar níveis inéditos, ampliando significativamente o risco de eventos climáticos extremos em diversas partes do mundo.
As estimativas foram divulgadas pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), uma das principais instituições de monitoramento climático do planeta.
Os modelos analisam a evolução das temperaturas oceânicas em uma região considerada fundamental para o desenvolvimento do fenômeno e incorporam variáveis relacionadas aos efeitos do aquecimento global.
De acordo com os cenários projetados, a maioria das simulações aponta para anomalias superiores a 3°C na temperatura da superfície do mar.
Em algumas projeções mais extremas, o aquecimento pode ultrapassar 4°C, patamar que colocaria o evento entre os mais intensos já registrados.
O meteorologista Ben Noll afirmou que os dados mais recentes reforçam a possibilidade de um episódio climático fora dos padrões observados nas últimas décadas.
Segundo ele, as novas rodadas de previsão apresentaram tendência de intensificação ainda maior em comparação com análises anteriores, elevando a preocupação entre especialistas.
O alerta também já havia sido emitido por organismos internacionais. Projeções divulgadas anteriormente pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicavam alta probabilidade de ocorrência de um forte El Niño entre os meses de junho e novembro de 2026.
A entidade destaca que o fenômeno pode provocar impactos distintos ao redor do planeta, incluindo períodos prolongados de seca em algumas regiões, aumento do volume de chuvas em outras áreas, enchentes, tempestades severas e ondas de calor mais intensas.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, classificou o cenário como potencialmente muito forte, enquanto o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, chamou atenção para a necessidade de monitoramento constante e preparação dos países diante dos riscos associados às mudanças climáticas.
Especialistas também têm comparado as projeções atuais ao histórico episódio de 1877, frequentemente citado como um dos eventos de El Niño mais severos já documentados.
Naquele período, alterações climáticas extremas afetaram diferentes continentes, provocando secas prolongadas, perdas agrícolas e crises humanitárias de grande escala.
Caso as previsões se confirmem, governos, produtores rurais, setores de infraestrutura e sistemas de defesa civil poderão enfrentar desafios significativos para mitigar os impactos econômicos, sociais e ambientais associados ao fenômeno.
*Da Agência Fonte Exclusiva








