O Brasil registrou queda de 27,7% nos homicídios de mulheres entre 2014 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Apesar da redução, o país contabilizou 46.336 mulheres assassinadas no período, mantendo elevados os índices de violência letal feminina.
O levantamento aponta que os maiores índices continuam concentrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país.
De acordo com os pesquisadores, a redução geral ocorreu devido à diminuição dos homicídios praticados fora do ambiente doméstico. A taxa desse tipo de crime caiu de 3,47 para 2,17 mortes por 100 mil mulheres ao longo da última década.
Por outro lado, os assassinatos cometidos dentro de casa permaneceram praticamente estáveis, passando de 1,25 para 1,18 por 100 mil mulheres. Para os especialistas, o dado demonstra que os feminicídios continuam sendo um grave problema no país.
Somente em 2024, o Brasil registrou 3.642 mortes de mulheres em contexto de violência doméstica ou motivadas pela condição de gênero.
O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, afirmou que a estabilidade dos feminicídios revela um cenário preocupante mesmo após a criação da legislação específica para esse tipo de crime, sancionada em 2015.
O estudo também chama atenção para os casos de violência não letal contra mulheres. Em 2024, mais de 293 mil mulheres foram atendidas por agressões, sendo que 64% dos episódios ocorreram dentro da própria residência.
Segundo os dados, quase 80% das vítimas sofreram agressões em casa, enquanto 66,2% relataram episódios recorrentes de violência ao longo do mesmo ano.
A pesquisa mostra ainda que a violência varia conforme a faixa etária. Entre crianças de até 9 anos e mulheres acima dos 70 anos, a negligência aparece como principal forma de violência. Já entre meninas de 10 a 14 anos, os casos de violência sexual representam quase metade das notificações.
A partir dos 15 anos, a violência física passa a ser predominante, geralmente associada a relações afetivas e agressões repetidas.
O Atlas também evidencia o impacto do racismo estrutural nos índices de violência. Mulheres negras seguem sendo as maiores vítimas de homicídios no Brasil.
Em 2024, 2.457 mulheres negras foram assassinadas, o equivalente a 67,5% de todas as mortes de mulheres registradas no país naquele ano.
Os estados com as maiores taxas de homicídios de mulheres negras foram Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Roraima, Alagoas e Mato Grosso.
Já os menores índices foram registrados em São Paulo, Distrito Federal, Santa Catarina e Minas Gerais.
Os especialistas alertam que, embora os indicadores gerais apontem redução dos homicídios femininos, o cenário da violência doméstica e dos feminicídios ainda exige políticas públicas permanentes de proteção às mulheres.
*Da Agência Fonte Exclusiva








