Uma nova modalidade em desenvolvimento pelo Banco Central do Brasil promete transformar o acesso ao crédito no país, principalmente para micro e pequenos empreendedores.
O chamado Pix Garantia permitirá que empresas utilizem valores futuros a receber por meio do sistema Pix como garantia na contratação de empréstimos e financiamentos.
O tema foi debatido durante o Congresso Abipag de Regulação e Concorrência, realizado em Brasília, e ganhou destaque nas declarações do secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena.
Para ele, a novidade pode representar uma mudança importante na forma como instituições financeiras avaliam o risco de crédito de pequenos empreendedores.
Segundo Dudena, a ferramenta cria uma alternativa moderna para análise financeira, baseada no histórico de movimentações realizadas pelo usuário através do Pix. Dessa forma, bancos e instituições poderão considerar o fluxo constante de recebimentos como um indicativo de capacidade de pagamento futura.
Na avaliação do secretário, o modelo tem potencial para beneficiar especialmente trabalhadores autônomos, comerciantes e donos de pequenos negócios que, muitas vezes, encontram dificuldades para obter crédito por não possuírem imóveis ou outros bens como garantia.
A proposta também pode contribuir para reduzir taxas de juros em operações de crédito, já que o uso dos recebíveis futuros tende a oferecer maior segurança às instituições financeiras.
O sistema segue uma lógica semelhante à antecipação de recebíveis de cartão, mas adaptada à ampla utilização do Pix no cotidiano dos brasileiros.
Outro ponto destacado durante o painel foi a possibilidade de ampliar a inclusão financeira no país. Isso porque pessoas físicas e pequenos empresários poderão utilizar o próprio histórico financeiro digital como instrumento de confiança na hora de solicitar empréstimos.
O debate sobre o Pix Garantia reuniu ainda representantes de diferentes órgãos ligados ao sistema financeiro nacional.
Participaram do encontro a presidente da Open Finance Brasil, Ana Carla Abraão; a representante do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco do Brasil, Cristina Roriz; o superintendente da Superintendência de Seguros Privados, Alessandro Serafin Octaviani Luis; além do superintendente-adjunto do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Felipe Mundim.
Especialistas acreditam que a medida pode fortalecer o ambiente de negócios no Brasil ao criar novas possibilidades de crédito para quem movimenta recursos digitalmente, mas ainda enfrenta barreiras no sistema financeiro tradicional.
*Da Agência Fonte Exclusiva








