Relatórios da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal revelam detalhes de uma suposta estrutura clandestina ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigada por ataques cibernéticos, espionagem ilegal e ações de intimidação contra pessoas consideradas adversárias do grupo.
As informações foram divulgadas neste domingo (17) pelo programa Fantástico, da TV Globo, e fazem parte das investigações da Operação Compliance Zero, conduzida pela PF com autorização do ministro André Mendonça, do STF.
De acordo com os investigadores, a organização funcionava em diferentes frentes. Um dos núcleos era formado por especialistas em tecnologia e hackers, conhecidos internamente como “Os Meninos”. Já outro setor, apelidado de “A Turma”, seria responsável por ações presenciais, monitoramento físico e operações consideradas sensíveis pela investigação.
A Polícia Federal afirma que o grupo teria utilizado inteligência artificial, softwares de invasão, documentos falsificados e até integrantes ligados à segurança pública para executar as ações investigadas.
Um dos nomes citados nos relatórios é Victor Lima Sedlmaier, preso recentemente em Dubai após cooperação entre autoridades brasileiras, Interpol e polícia local. Segundo a PF, ele atuava na área tecnológica da estrutura e teria desenvolvido ferramentas digitais utilizadas pelo grupo.
Em depoimento, Sedlmaier afirmou que realizava serviços de tecnologia desde 2024 e recebia pagamentos mensais, além de bonificações. Os investigadores também analisam movimentações financeiras relacionadas a empresas das quais ele participa.
Outro nome apontado como peça central da operação é David Henrique Alves, de 23 anos, descrito pela PF como responsável pelo gerenciamento das atividades digitais do grupo. Ele segue foragido.
As investigações indicam ainda que a organização teria produzido um documento falso utilizando dados de uma servidora do Ministério Público do Ceará para solicitar a exclusão de um perfil em rede social.
Segundo os investigadores, o pedido foi encaminhado com aparência oficial e acabou aceito pela plataforma digital pouco depois do envio.
A PF também apura a atuação do chamado braço operacional da estrutura. Conforme os relatórios, esse núcleo reuniria policiais, ex-agentes de segurança, bicheiros e pessoas ligadas a milícias, responsáveis por abordagens presenciais e supostas ações de coerção.
Entre os episódios citados está uma suposta perseguição ao jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Conversas obtidas pelos investigadores mostram trocas de mensagens sobre tentativas de hackeamento e até discussões sobre um possível assalto simulado contra o comunicador.
As investigações seguem sob sigilo parcial e novas diligências não estão descartadas pela Polícia Federal.
*Da Agência Fonte Exclusiva








