A capital boliviana, La Paz, e regiões ao redor têm enfrentado uma onda de protestos e bloqueios de estradas que intensificaram a pressão sobre o governo de Rodrigo Paz, no poder há cerca de seis meses após um longo período de hegemonia da esquerda no país.
As manifestações começaram após a aprovação da Lei 1.720, sancionada pelo governo em abril. A legislação altera a classificação de propriedades rurais, permitindo a reclassificação de pequenas áreas como médias propriedades, o que, segundo o governo, facilitaria o acesso a crédito e incentivaria a produção agrícola.
Com o avanço das mobilizações, o movimento inicial contra a lei passou a reunir outras pautas sociais e econômicas, ampliando sua base de apoio com a adesão de professores, mineiros e diferentes categorias de trabalhadores. Em alguns pontos, manifestantes chegaram a defender a saída do presidente.
Enquanto o governo argumenta que a medida busca estimular a economia em meio à escassez de dólares e dificuldades cambiais, setores do agronegócio e empresários rurais apoiaram a proposta, destacando o potencial de modernização do setor.
Por outro lado, organizações indígenas e camponesas afirmam que a mudança pode colocar em risco terras coletivas e enfraquecer o modelo tradicional de gestão comunitária da terra, além de favorecer processos de concentração fundiária.
As mobilizações cresceram ao longo de abril, com marchas que chegaram a percorrer longas distâncias até a capital. Atualmente, bloqueios em diferentes rodovias dificultam o acesso a La Paz e ampliam o impacto da crise política.
A Central Operária Boliviana (COB) aderiu às manifestações e convocou uma greve por tempo indeterminado, incorporando reivindicações trabalhistas e denúncias de repressão policial ao movimento.
Diante da escalada da crise, o governo decidiu revogar a Lei 1.720 em maio e anunciou a intenção de discutir um novo projeto no Parlamento em até 60 dias. Mesmo assim, lideranças sindicais consideram a medida insuficiente e defendem mudanças mais amplas na política fundiária.
A crise política se soma a outros episódios de instabilidade recente no país, incluindo protestos relacionados a medidas econômicas e debates sobre reformas estruturais em setores estratégicos como mineração, energia e sistema eleitoral.
Enquanto o governo defende que as mudanças são necessárias para atrair investimentos e estabilizar a economia, críticos afirmam que as reformas podem ampliar desigualdades sociais e beneficiar interesses externos, aprofundando a tensão política no país.
*Da Agência Fonte Exclusiva








