A desigualdade no mercado de trabalho brasileiro voltou a aparecer com força nos dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desemprego entre pessoas pretas chegou a 7,6%, um índice que permanece significativamente acima da média nacional, de 6,1%, e 55% superior ao registrado entre pessoas brancas, que ficou em 4,9%.
Os números fazem parte da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios ) e revelam que a diferença entre grupos raciais não apenas se mantém, mas também voltou a aumentar em relação aos trimestres anteriores. No fim de 2025, essa disparidade era de 52,5%, enquanto no início do mesmo ano era de 50%.
Ao longo da série histórica, iniciada em 2012, os dados mostram oscilações importantes. O maior distanciamento já registrado ocorreu em 2020, no auge da pandemia, quando o desemprego entre pessoas pretas chegou a ser quase 70% maior do que entre brancos. Já o menor nível foi observado em 2021, ainda em meio à recuperação econômica.
Quando o recorte inclui pessoas pardas, o cenário também mostra desigualdade. A taxa de desemprego desse grupo ficou em 6,8%, o que representa 38,8% a mais do que entre brancos. Embora essa diferença já tenha sido menor em anos anteriores, ela voltou a crescer no período mais recente.
Especialistas apontam que o fenômeno não pode ser explicado por um único fator. Segundo o analista do IBGE, William Kratochwill, trata-se de uma combinação de variáveis sociais e econômicas.
Ele destaca que escolaridade, localização geográfica e acesso a oportunidades ajudam a entender parte do cenário, mas não explicam totalmente a diferença observada entre os grupos.
“Não é algo ligado apenas à cor da pele. Há também fatores como nível de instrução e região onde a pessoa vive”, explicou.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a informalidade no trabalho, que também afeta de forma desigual os grupos analisados. Enquanto a média nacional é de 37,3%, entre pessoas pretas o índice chega a 40,8% e entre pardos a 41,6%, contra 32,2% entre brancos.
Essa diferença indica maior presença de trabalhadores sem carteira assinada ou atuando por conta própria sem CNPJ, o que reduz o acesso a direitos trabalhistas básicos.
Na composição da população analisada pela pesquisa, os pardos representam o maior grupo, com 45,4%, seguidos por brancos (42,5%) e pretos (11,1%), segundo a autodeclaração dos entrevistados.
O levantamento também mostra diferenças por gênero e idade. As mulheres seguem com maior taxa de desemprego (7,3%) em relação aos homens (5,1%), enquanto os jovens de 14 a 17 anos enfrentam o maior nível de desocupação, chegando a 25,1%.
Na outra ponta, pessoas com 60 anos ou mais apresentam a menor taxa de desemprego, de apenas 2,5%, refletindo menor participação desse grupo no mercado de trabalho.
Os dados reforçam a leitura de que o desemprego no Brasil continua sendo marcado por desigualdades estruturais, que atingem de forma mais intensa determinados grupos da população.
*Da Agência Fonte Exclusiva








