Morreu nesta quinta-feira (7), no Rio de Janeiro, o economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, conhecido nacionalmente como Chico Lopes.
Ex-presidente interino do Banco Central, ele tinha 80 anos e estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo. A confirmação da morte foi divulgada pela família nesta sexta-feira (8). A causa do falecimento não foi informada.
Considerado um dos nomes mais influentes da economia brasileira nas últimas décadas, Chico Lopes participou de importantes discussões sobre inflação, estabilidade monetária e formulação de políticas econômicas no país.
Em nota, familiares destacaram a relevância de sua contribuição para o desenvolvimento econômico brasileiro e lembraram sua dedicação à carreira acadêmica e profissional.
Nascido em 1945, o economista se formou pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez mestrado na Fundação Getulio Vargas (FGV) e concluiu doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Ao longo da trajetória profissional, atuou como professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da Universidade de Brasília (UnB). Também fundou a consultoria econômica Macrométrica.
Chico Lopes participou de momentos importantes da economia nacional. Em 1987, integrou o Ministério da Fazenda e, entre 1995 e 1998, ocupou cargos de direção no Banco Central. Em janeiro de 1999, assumiu interinamente a presidência da instituição durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Sua passagem pelo comando do Banco Central ocorreu em meio à crise cambial enfrentada pelo Brasil naquele período.
Durante a gestão, o país abandonou o sistema de câmbio administrado e passou a adotar o regime de câmbio flutuante, permitindo que o valor do dólar variasse conforme as condições do mercado.
O período também ficou marcado pela operação de socorro financeiro aos bancos Marka e FonteCidam, que enfrentavam dificuldades após a valorização da moeda norte-americana. A medida provocou prejuízos ao Banco Central e acabou sendo investigada posteriormente pela CPI do Sistema Financeiro.
Na época, Chico Lopes afirmou que as decisões tinham como objetivo evitar o colapso das instituições financeiras e impedir uma crise mais ampla no sistema bancário brasileiro.
Em nota de pesar, o Banco Central destacou a participação do economista no enfrentamento da inflação crônica que atingiu o Brasil nas décadas de 1980 e 1990. A instituição ressaltou especialmente sua contribuição para a criação do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável pelas decisões sobre a taxa básica de juros da economia.
Segundo o BC, a criação do Copom trouxe mais previsibilidade, transparência e segurança técnica para a política monetária brasileira.
Ao longo da carreira, Chico Lopes participou de discussões relacionadas a diferentes planos econômicos de combate à inflação, incluindo os planos Cruzado e Bresser. Também teve atuação no processo de consolidação do Plano Real.
Em depoimento autobiográfico publicado pelo Banco Central em 2019, o economista afirmou considerar a criação do Copom um dos principais avanços da política monetária brasileira após a implantação do Real. Na ocasião, ele defendia maior transparência nas reuniões sobre juros para fortalecer a credibilidade das decisões econômicas.
O velório será realizado neste sábado (9), no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. A cerimônia terá início às 13h, e a cremação está prevista para as 16h.
Chico Lopes deixa a esposa, Ciça Pugliese, três filhos e sete netos.
*Da Agência Fonte Exclusiva








