A gigante brasileira JBS entrou no centro de um debate político e econômico nos Estados Unidos após ser classificada como uma possível “ameaça” pela secretária de Agricultura, Brooke Rollins.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (4) e levanta preocupações sobre a concentração no setor de processamento de carne no país.
Segundo Rollins, a empresa brasileira detém cerca de um quarto do mercado americano, o que, na avaliação do governo, representa um nível elevado de concentração.
A secretária também mencionou o histórico da companhia em investigações internacionais, associando o tema à segurança nacional e à necessidade de maior controle sobre a cadeia de alimentos.
O mercado de processamento de carne nos Estados Unidos é dominado por um pequeno grupo de grandes empresas. Além da JBS, fazem parte desse grupo a Cargill, a Tyson Foods e a National Beef.
Juntas, essas companhias concentram aproximadamente 85% do setor, o que, segundo o governo americano, pode limitar a competitividade e reduzir as opções disponíveis para produtores rurais.
Em declarações públicas, Rollins afirmou que a alta concentração pode prejudicar pecuaristas, que passam a depender de um número restrito de compradores, além de impactar consumidores.
Em publicações nas redes sociais, ela reforçou que a atual administração pretende adotar medidas para ampliar a concorrência e garantir condições mais justas no mercado.
A discussão também ocorre em um contexto mais amplo de tensões comerciais e políticas. O governo liderado por Donald Trump tem adotado um discurso mais rígido em relação a empresas estrangeiras com forte atuação em setores estratégicos da economia americana.
Nesse cenário, a JBS passa a ocupar um papel central nas críticas direcionadas ao Brasil. Outras questões recentes também têm sido citadas por autoridades americanas, como o impacto do sistema de pagamentos Pix sobre empresas globais de cartões e debates envolvendo segurança pública e cooperação internacional.
Especialistas avaliam que o aumento do tom político pode influenciar relações comerciais entre os dois países, especialmente em setores estratégicos como o agronegócio.
Ao mesmo tempo, o tema reacende discussões sobre regulação de mercado, concorrência e soberania alimentar em um cenário global cada vez mais competitivo.
*Da Agência Fonte Exclusiva








