O debate sobre a redução da jornada de trabalho voltou a ganhar força com novos estudos e experiências internacionais que apontam possíveis impactos positivos na economia e na produtividade.
Em análises recentes e no livro “Sexta-Feira é o Novo Sábado”, o economista português Pedro Gomes defende que a adoção de semanas mais curtas de trabalho pode ser viável e benéfica em diferentes contextos.
O pesquisador acompanha experiências realizadas em empresas de Portugal que adotaram voluntariamente a semana de quatro dias.
Segundo ele, 41 empresas participaram do modelo, reunindo mais de mil trabalhadores em diferentes setores, com a maioria mantendo o formato após a implementação.
Os resultados indicam que mais de 90% das empresas não registraram aumento de custos com a mudança. Além disso, 86% relataram crescimento de receitas, enquanto 70% apontaram melhora nos processos internos, especialmente na reorganização de rotinas e redução do tempo gasto em reuniões.
Para Pedro Gomes, a experiência demonstra que a redução da jornada pode ser compatível com ganhos de eficiência, já que a produtividade por hora tende a aumentar quando há reorganização do trabalho.
No caso do Brasil, o economista avalia que há espaço para adoção de uma jornada semanal de 40 horas e para o fim da escala 6×1.
Ele afirma que projeções negativas sobre impacto econômico não se sustentam diante de evidências observadas em outros países.
O pesquisador também destaca que trabalhadores não devem ser vistos apenas como força produtiva, mas também como consumidores.
Segundo ele, o aumento do tempo livre pode impulsionar setores como turismo, cultura, esportes e entretenimento, com efeitos positivos na economia.
Como exemplo histórico, Gomes cita a redução da jornada nos Estados Unidos no início do século XX, que contribuiu para a consolidação do fim de semana de dois dias e o crescimento de indústrias ligadas ao lazer, como cinema e turismo.
As análises também apontam efeitos organizacionais relevantes, como redução do absenteísmo e menor rotatividade de funcionários, fatores que reduzem custos indiretos e aumentam a estabilidade das equipes.
Outro ponto destacado é a adaptação dos modelos de trabalho, com empresas reorganizando escalas para manter atendimento e operação sem necessidade de ampliação de custos ou perda de produtividade.
Pedro Gomes também contesta projeções que indicam possível queda no Produto Interno Bruto (PIB), argumentando que experiências históricas mostram que mudanças na jornada não impediram o crescimento econômico em diferentes países.
Para o economista, fatores como longos deslocamentos enfrentados por trabalhadores em países como o Brasil reforçam a importância de discutir novas formas de organização do trabalho, com impactos diretos na qualidade de vida.
A discussão segue em andamento, mas estudos e experiências internacionais vêm sendo usados como referência por defensores da redução da jornada, que veem na medida uma possível transformação estrutural no mercado de trabalho e na dinâmica econômica.
*Da Agência Fonte Exclusiva








