A prévia da inflação oficial brasileira registrou alta de 0,89% em abril, impulsionada principalmente pelo aumento nos preços dos alimentos e dos combustíveis. O resultado representa uma aceleração em relação ao mesmo período anterior e indica maior pressão sobre o custo de vida da população.
No acumulado de 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) chegou a 4,37%, acima dos 3,9% registrados no período imediatamente anterior. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento considera nove grupos de despesas e aponta que alimentação e transportes foram os principais responsáveis pela alta do índice no mês.
Entre os grupos analisados, alimentação e bebidas lideraram com aumento de 1,46%, seguidos por transportes, que avançaram 1,34%. Na sequência aparecem saúde e cuidados pessoais (0,93%), habitação (0,42%), vestuário (0,76%), despesas pessoais (0,32%), artigos de residência (0,48%), comunicação (0,48%) e educação, que teve variação discreta de 0,05%.
Dentro do grupo de alimentação, a alta foi puxada principalmente pelos produtos consumidos em casa, que passaram de 1,10% em março para 1,77% em abril. Itens básicos tiveram aumentos expressivos, como cenoura (25,43%), cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%) e tomate (13,76%). As carnes também registraram elevação, embora mais moderada, de 1,14%.
A alimentação fora do domicílio também apresentou aceleração, com alta de 0,70%, o dobro do observado no mês anterior.
Especialistas apontam que fatores sazonais, como o período de entressafra, contribuíram para a elevação dos preços. A redução na oferta de alguns produtos, como o leite, é um dos elementos que pressionam o custo dos alimentos.
No grupo dos transportes, o destaque foi o aumento dos combustíveis, que subiram 6,06% no mês. A gasolina teve alta de 6,23% e foi o item com maior impacto individual no índice. Já o óleo diesel registrou aumento ainda mais intenso, de 16%.
O cenário internacional também influenciou esse movimento. Tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo conflitos na região do Irã, têm afetado a produção e a distribuição de petróleo. Um dos pontos críticos é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa da produção global de petróleo e gás.
Com a redução da oferta no mercado internacional, os preços das commodities energéticas tendem a subir, refletindo diretamente nos combustíveis vendidos no Brasil, mesmo sendo um país produtor.
Medidas adotadas pelo governo, como redução de impostos e subsídios, têm buscado conter o impacto dessas altas, mas ainda apresentam efeitos limitados no curto prazo.
O IPCA-15 segue a mesma metodologia do índice oficial de inflação (IPCA), utilizado como referência para a meta inflacionária do país, atualmente fixada em 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com o resultado mais recente, o indicador permanece dentro dessa faixa.
A principal diferença entre os dois índices está no período de coleta. No caso do IPCA-15, os preços são levantados antes do fim do mês de referência — neste caso, entre 18 de março e 15 de abril.
O índice considera o consumo de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e abrange diversas regiões metropolitanas do país, além de Brasília e Goiânia. Já o IPCA completo inclui um número maior de localidades e será divulgado em maio.
¨Da Agência Fonte Exclusiva








