O controle do diabetes tipo 2 depende de uma combinação de fatores que vão além do uso de medicamentos. Segundo a nutricionista Bela Clerot, alguns hábitos considerados comuns ou aparentemente saudáveis podem dificultar o equilíbrio da glicemia e comprometer o tratamento ao longo do tempo.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o diagnóstico de diabetes entre adultos no Brasil passou de 5,5% para 12,9% entre 2006 e 2024, representando um aumento significativo acompanhado pelo crescimento dos índices de obesidade. O cenário reforça a necessidade de estratégias eficazes de prevenção e controle da doença.
De acordo com a especialista, um dos equívocos mais frequentes é acreditar que a medicação, por si só, é suficiente para manter a glicose sob controle. O tratamento adequado envolve mudanças consistentes no estilo de vida, especialmente relacionadas à alimentação e aos hábitos diários.
Outro ponto de atenção está na substituição do açúcar por alternativas consideradas naturais, como mel, tâmaras ou sucos. Embora sejam vistos como opções mais saudáveis, esses alimentos também podem provocar aumento da glicose no sangue, especialmente em pessoas com resistência à insulina.
A frequência alimentar também pode influenciar o metabolismo. O hábito de comer constantemente, sem necessidade fisiológica, pode manter níveis elevados de insulina ao longo do dia, dificultando o controle metabólico. A orientação nutricional deve considerar as particularidades de cada paciente, principalmente para evitar episódios de hipoglicemia em pessoas que utilizam determinados medicamentos.
Produtos industrializados identificados como “diet” ou “zero” também exigem atenção. Alguns desses alimentos podem conter ingredientes que impactam a glicemia de forma semelhante ao açúcar refinado, o que reforça a importância da leitura dos rótulos e da orientação profissional.
Outro erro comum é avaliar o controle da doença apenas por meio de exames isolados de glicose. A análise clínica mais completa inclui indicadores como hemoglobina glicada, níveis de insulina e marcadores metabólicos que ajudam a compreender o funcionamento do organismo de forma mais ampla.
A especialista destaca ainda que, embora o diabetes tipo 2 não tenha cura, é possível alcançar remissão em alguns casos quando há mudanças consistentes na rotina. Alimentação equilibrada, prática de atividade física e acompanhamento profissional adequado contribuem para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida.
O tratamento eficaz envolve uma abordagem integrada, que considera aspectos metabólicos, comportamentais e clínicos. A orientação individualizada é fundamental para que cada paciente compreenda suas necessidades específicas e adote estratégias que favoreçam o controle da glicemia a longo prazo.
*Da Agência Fonte Exclusiva








