O uso da inteligência artificial para conversas pessoais tem crescido de forma significativa, incluindo temas que antes eram compartilhados apenas com amigos, familiares ou profissionais de saúde mental. Estudos recentes indicam que parte dessas interações envolve questões emocionais, levantando discussões sobre os impactos desse tipo de tecnologia no comportamento humano.
Um levantamento da EITA Mentora Virtual, baseado em mais de 500 mil interações, aponta que 51% das conversas realizadas com inteligência artificial envolvem emoções ou assuntos ligados à saúde mental. Já um estudo da Universidade Stanford indica que quase um terço dos adolescentes nos Estados Unidos já utilizou IA para tratar de assuntos considerados sérios, substituindo, em alguns casos, o contato humano.
Segundo a neurocientista e psicóloga Anaclaudia Zani, fundadora da plataforma EITA Mentora Virtual, os chatbots tendem a validar ideias dos usuários porque foram treinados para oferecer respostas que mantenham o diálogo fluido e confortável.
Para explicar esse padrão, a especialista faz referência ao conceito da B. F. Skinner, psicólogo conhecido por estudos sobre comportamento e aprendizagem por reforço. Em experimentos clássicos, Skinner demonstrou que comportamentos podem ser condicionados por recompensas positivas, mecanismo que também ajuda a compreender a lógica de funcionamento de sistemas de inteligência artificial.
De acordo com Zani, quando a IA oferece validação constante, pode estimular o usuário a se sentir mais seguro em suas decisões, mesmo quando essas decisões não passam por questionamento crítico. Esse processo pode gerar conflitos quando as expectativas criadas na interação digital não correspondem à realidade social, especialmente em ambientes como trabalho, família ou relacionamentos.
Riscos e cuidados no uso da tecnologia
Especialistas apontam que o uso da inteligência artificial pode ser positivo quando contribui para ampliar o acesso à informação e estimular reflexões. No entanto, também destacam a importância de manter senso crítico e evitar substituir completamente o diálogo humano por interações digitais.
A proposta da plataforma EITA Mentora Virtual, por exemplo, inclui o chamado treino cognitivo, que utiliza perguntas estruturadas para estimular o usuário a refletir antes de reagir emocionalmente.
Para a especialista, o debate sobre os impactos da inteligência artificial deve considerar tanto os benefícios quanto os possíveis riscos, evitando visões extremas sobre a tecnologia. Assim como ocorreu com outras inovações, o uso da IA tende a passar por um período de adaptação até encontrar formas mais equilibradas de utilização.
*Da Agência Fonte Exclusiva








