O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que pretende cancelar o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, realizado pela Petrobras. A decisão, segundo ele, ocorre após a venda do produto a distribuidoras com valores significativamente acima da tabela oficial da estatal.
Em entrevista concedida a uma emissora de televisão, o presidente afirmou que o processo ocorreu em desacordo com a orientação do governo federal e da própria direção da empresa. Lula criticou duramente a realização do leilão e destacou que a medida será revista.
De acordo com o presidente, o objetivo é evitar que o custo elevado do produto recaia sobre a população, especialmente as famílias de baixa renda. Ele reforçou que o governo não permitirá que o preço do gás de cozinha aumente em decorrência dessa operação.
Apesar de o Brasil ser produtor de petróleo e derivados, o mercado interno sofre influência das cotações internacionais, atualmente pressionadas por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nesse cenário, práticas como leilões com alto ágio podem ser utilizadas para alinhar os preços domésticos ao mercado global sem reajustes diretos na tabela oficial.
Atualmente, os valores praticados pela Petrobras na venda de GLP para distribuidoras permanecem inalterados desde novembro de 2024, conforme informações disponíveis no site da companhia.
O presidente voltou a criticar a diferença entre o preço de saída nas refinarias e o valor final pago pelo consumidor. Segundo ele, há distorções relevantes ao longo da cadeia de distribuição, que acabam encarecendo o produto.
Como resposta ao impacto no orçamento das famílias, o governo federal lançou o programa Gás do Povo, que substituiu o Auxílio Gás e prevê a distribuição gratuita do botijão para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Lula também comentou os efeitos das tensões internacionais sobre o preço dos combustíveis, especialmente do diesel. O aumento do valor do petróleo no mercado global tem pressionado os custos no Brasil, que ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel consumido internamente.
Segundo o presidente, o governo está adotando medidas para conter novos aumentos, incluindo ações tributárias e a possível criação de subsídios para o diesel importado. A expectativa é de que seja anunciada uma medida provisória com desconto por litro para reduzir o impacto ao consumidor.
O presidente também criticou reajustes praticados por postos de combustíveis sem justificativa imediata e afirmou que o governo está atento para evitar aumentos considerados abusivos.
Outro ponto abordado foi a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2019. Lula avaliou que a venda da subsidiária da Petrobras reduziu a capacidade do governo de atuar diretamente na regulação dos preços ao consumidor.
Além disso, o presidente mencionou estudos para uma possível recompra da Refinaria de Mataripe, na Bahia, privatizada em 2021. Segundo ele, a unidade atualmente opera abaixo da capacidade, o que impacta a produção nacional de derivados.
O governo também avalia alternativas para ampliar a produção interna e reduzir a dependência de importações, principalmente no caso do diesel.
A Petrobras foi procurada para comentar as condições do leilão citado pelo presidente, mas até o momento não houve posicionamento oficial. O espaço segue aberto para manifestação.
*Da Agência Fonte Exclusiva








