O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recomendou o indiciamento de 216 pessoas por suspeita de envolvimento em um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Com mais de 4 mil páginas, o documento começou a ser lido na manhã desta sexta-feira (27).
Entre os citados estão o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, Maurício Camisotti, o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, ex-ministros da Previdência, antigos dirigentes do INSS e parlamentares.
O relatório foi apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar a prorrogação dos trabalhos da comissão na quinta-feira (26).
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), explicou que, após a leitura, será concedido um pedido de vista de uma hora, seguido de votação. Integrantes da comissão ligados à base do governo devem apresentar um relatório alternativo. Cada deputado e senador terá 10 minutos para debate antes da votação.
Principais indiciados
O “Careca do INSS” é apontado como líder do esquema, junto com sua esposa Tânia Carvalho dos Santos e o filho Romeu Carvalho Antunes. Maurício Camisotti atuaria como operador intermediário.
ntre os ex-ministros da Previdência citados estão José Carlos Oliveira e Carlos Lupi; entre os ex-presidentes do INSS, Alessandro Antônio Stefanutto, Leonardo Rolim e Glauco André Fonseca Wamburg.
Também constam ex-dirigentes e servidores do INSS, ex-procurador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS e executivos de bancos.
No campo político, a CPMI indicou o senador Weverton Rocha (PDT-MA), os deputados federais Gorete Pereira (MDB-CE), Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA).
Também aparecem o empresário Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), a empresária Roberta Luchsinger e dirigentes de confederações rurais, além de executivos de bancos como Banco C6, Banco Master e PicPay Bank.
Crimes apontados
Entre os crimes elencados estão advocacia administrativa, desobediência, prevaricação, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, fraude eletrônica, furto mediante fraude, violação de sigilo funcional, uso de documento falso, evasão de divisas, falso testemunho, tráfico de influência, peculato, coação no curso do processo, gestão fraudulenta, crimes contra a economia popular e crime de responsabilidade.
Reações e próximos passos
A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes ainda não se manifestou. Fábio Luís Lula da Silva declarou que o relatório teria motivação política e não apresentaria provas.
Roberta Luchsinger classificou a CPMI como um “picadeiro” e negou qualquer ilícito. O ex-ministro Carlos Lupi afirmou que aguardará a votação do relatório.
O próximo passo para que os indiciados se tornem réus é que o Ministério Público apresente denúncia, que precisará ser aceita pela instância judicial competente.
*Da Agência Fonte Exclusiva








