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Juíza afirma em CPI que Estado precisa agir cedo para evitar aliciamento de crianças pelo crime

Magistrada do Rio aponta que maioria dos jovens entra no crime entre 11 e 13 anos e defende ações preventivas e maior estrutura no sistema socioeducativo.

redacao Por redacao
10/03/2026 - 14:56
em Política
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A juíza Vanessa Cavalieri alerta que prevenir o envolvimento de crianças e adolescentes com o crime organizado exige políticas públicas eficazes, educação de qualidade e programas sociais desde cedo.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

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A juíza Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e Juventude da Capital do Rio de Janeiro, afirmou nesta terça-feira (10) que o combate ao envolvimento de crianças e adolescentes com o crime organizado exige ações preventivas do Estado e políticas públicas capazes de mudar a realidade desses jovens antes que sejam absorvidos por facções criminosas.

Durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, a magistrada destacou que grande parte dos adolescentes que acabam envolvidos com atividades ilícitas inicia esse caminho ainda muito cedo, geralmente entre 11 e 13 anos de idade.

Segundo ela, essa fase representa uma oportunidade importante para intervenções mais eficazes do poder público, com programas sociais, educacionais e de acompanhamento que possam evitar o aprofundamento no ambiente criminoso.

Com mais de dez anos de atuação na área da infância e juventude, Vanessa Cavalieri relatou que observa um padrão frequente nas histórias de vida de adolescentes que chegam ao sistema de Justiça.

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De acordo com a juíza, fatores como falta de planejamento familiar, gravidez na adolescência, ausência de vagas em creches, deficiência na qualidade da educação pública e escassez de oportunidades de qualificação profissional contribuem para esse cenário.

Ela ressaltou que o ingresso de jovens no tráfico de drogas ou em outras atividades criminosas não ocorre, na maioria das vezes, por ganhos financeiros expressivos, mas pela ausência de perspectivas reais de trabalho e desenvolvimento.

A magistrada destacou que, no início dessa trajetória, muitos adolescentes são utilizados em funções de baixo escalão dentro das organizações criminosas, como a atividade conhecida como “vapor”, responsável pela venda direta de drogas.

Convidada a participar da audiência a partir de requerimento do senador Rogério Carvalho (PT-SE), a juíza também abordou problemas estruturais no sistema socioeducativo do estado do Rio de Janeiro.

Segundo ela, atualmente existem mais de 200 adolescentes aguardando vaga para cumprimento de medida de internação, o que evidencia limitações na capacidade do sistema de atendimento.

Para a magistrada, além da aplicação das medidas socioeducativas, é essencial oferecer acompanhamento efetivo aos adolescentes, com projetos de vida e oportunidades reais de reinserção social.

Ela criticou modelos de acompanhamento que se limitam a encontros esporádicos ou à simples assinatura de documentos, sem promover mudanças concretas na vida dos jovens.

Relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que apenas ações repressivas não são suficientes para enfrentar o crime organizado e destacou a importância de combater a lavagem de dinheiro, a corrupção e a ausência de políticas públicas.

Durante a audiência, ele questionou a juíza sobre o limite atual de três anos de internação para adolescentes autores de atos infracionais graves.

Vanessa Cavalieri afirmou que considera o prazo adequado para grande parte dos casos, desde que haja estrutura adequada nas unidades socioeducativas. No entanto, ela reconheceu que, em situações envolvendo crimes de extrema gravidade — como homicídio, latrocínio e estupro —, o período pode ser insuficiente.

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), também destacou a importância de ampliar políticas públicas voltadas à prevenção do aliciamento de menores, mas defendeu a discussão sobre a ampliação do tempo máximo de internação em casos que envolvam violência grave.

Outro ponto discutido na audiência foi o avanço do recrutamento de adolescentes por meio da internet. O senador Alessandro Vieira pediu a avaliação da magistrada sobre o crescimento de comunidades virtuais que estimulam comportamentos violentos e radicais entre jovens.

Segundo a juíza, o Judiciário tem observado uma mudança no perfil de parte dos adolescentes envolvidos em casos recentes, incluindo jovens de famílias de classe média e alta que participam de ambientes digitais com conteúdos de radicalização, misoginia e incentivo à violência.

Ela mencionou a plataforma Discord como um dos espaços frequentemente citados em investigações, onde adolescentes entram em contato com conteúdos que banalizam a violência e incentivam práticas extremas.

O senador Rogério Carvalho relacionou esse cenário à dificuldade de abordar temas como planejamento familiar e educação sexual no debate público. Ele também criticou o que considera falta de clareza nas discussões sobre segurança pública no país.

Já o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente da comissão, questionou sobre o uso estratégico de menores por organizações criminosas.

Em resposta, Vanessa Cavalieri afirmou que facções recorrem frequentemente ao recrutamento de crianças e adolescentes por considerarem essa mão de obra mais barata e facilmente substituível. Para ela, o enfrentamento desse problema passa tanto pelo fortalecimento de políticas preventivas quanto pela responsabilização mais rigorosa dos líderes dessas organizações.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #AliciamentoDeMenores#CrimeOrganizado#DireitosDaCriança#InfânciaEJuventude#JuventudeEmRisco#PolíticasPúblicas#Prevenção#SegurançaPública#SenadoFederal#Socioeducativo#ViolenciaJuvenil
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