O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (3) o início de um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado a pessoas com compulsão por jogos de apostas online. A iniciativa é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e atende maiores de 18 anos, além de familiares e pessoas da rede de apoio.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que destacou a importância de ampliar o acesso ao cuidado diante do crescimento dos casos relacionados às chamadas bets.
O serviço é realizado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). A proposta inicial prevê cerca de 600 atendimentos online por mês, com possibilidade de ampliação progressiva até alcançar 100 mil consultas mensais, conforme a demanda.
As consultas acontecem por vídeo, têm duração média de 45 minutos e integram um plano estruturado de cuidado que pode incluir até 13 sessões por paciente. Os atendimentos podem ser individuais ou em grupo, envolvendo familiares e pessoas próximas.
A equipe é formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de psiquiatras quando necessário, além de articulação com serviços de assistência social e atenção básica para garantir continuidade do cuidado na rede pública.
Segundo o ministro, dados dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) indicam que, nos últimos anos, entre 2 mil e 3 mil pessoas procuraram atendimento presencial relatando problemas com jogos. A expectativa é que o formato remoto ajude a reduzir barreiras como vergonha, medo de julgamento e dificuldade de reconhecer o vício.
O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente para Android, iOS e versão web. Após fazer login com a conta gov.br, o usuário deve selecionar a opção “Miniapps” e, em seguida, clicar em “Problemas com jogos de apostas?”.
O sistema disponibiliza um autoteste validado cientificamente no Brasil, que avalia sinais de risco. Caso seja identificado risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é feito automaticamente. Em situações de menor risco, o aplicativo orienta a busca por serviços da Rede de Atenção Psicossocial, como CAPS e Unidades Básicas de Saúde.
O aplicativo também reúne conteúdos educativos sobre prevenção, sinais de alerta e impactos das apostas na saúde mental. Já a Ouvidoria do SUS presta orientações pelo telefone 136 e por canais digitais. Todas as etapas seguem as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo sigilo das informações.
Estudo recente aponta que as apostas online geram perdas econômicas e sociais estimadas em R$ 38,8 bilhões por ano no país. Para o Ministério da Saúde, a nova linha de cuidado é uma resposta ao avanço de comportamentos problemáticos ligados aos jogos virtuais, ampliando o acesso a tratamento especializado de forma reservada e acessível.
A pasta também investe na qualificação dos trabalhadores da saúde em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foram abertas 20 mil vagas para capacitação específica sobre o tema. Até o momento, 13 mil profissionais se inscreveram e cerca de 1,5 mil já concluíram a formação.
A estratégia integra a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, que inclui orientações clínicas e protocolos específicos para atendimento na rede pública.
Entre as ações complementares do governo federal está a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, disponível desde dezembro. A ferramenta permite que o próprio apostador solicite o bloqueio do CPF em sites de apostas, impeça novos cadastros e suspenda o recebimento de publicidade relacionada ao tema.
O bloqueio pode ser solicitado por dois meses, seis meses ou por tempo indeterminado, por meio de conta gov.br nível prata ou ouro. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 300 mil pessoas já aderiram à autoexclusão, sendo que a maioria optou pelo bloqueio sem prazo para término.
De acordo com o ministro, a integração dos dados permite identificar usuários em situação de risco e encaminhá-los rapidamente para acompanhamento adequado na rede pública de saúde.
*Da Agência Fonte Exclusiva








