O governo federal anunciou um pacote de investimentos de R$ 5 bilhões e 700 milhões para ampliar e modernizar 11 aeroportos no país. Os recursos, provenientes do BNDES e de um banco privado, devem gerar cerca de dois mil empregos diretos e indiretos durante o período das obras.
A expectativa é elevar a capacidade operacional dos terminais contemplados de 29 milhões para mais de 40 milhões de passageiros por ano, fortalecendo a malha aérea nacional e impulsionando o desenvolvimento regional.
Entre os aeroportos beneficiados, o maior volume de investimentos será destinado ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O terminal, administrado pela Aena Brasil, receberá R$ 2 bilhões e 600 milhões. A proposta prevê a ampliação do terminal de passageiros, que deve dobrar de tamanho, alcançando 135 mil metros quadrados.
Além de Congonhas, também serão beneficiados aeroportos administrados pela Aena nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pará e Minas Gerais. O plano integra a estratégia do governo federal para fortalecer a infraestrutura aérea, ampliar a capacidade de atendimento e estimular a economia regional.
Enquanto aeroportos em diversas regiões recebem investimentos bilionários, em Campos dos Goytacazes (RJ), no Norte Fluminense, o cenário é diferente. O Aeroporto Bartolomeu Lysandro ficou fora do pacote anunciado pelo governo federal. O terminal perdeu a condição de alfandegado e, atualmente, não conta com voos regulares de passageiros.
A estrutura, que já foi estratégica para a indústria do petróleo e para o desenvolvimento regional, enfrenta um processo de esvaziamento. Sem operação comercial ativa, o aeroporto permanece à margem da expansão prevista para o setor aéreo brasileiro. Itaperuna (RJ), no Noroeste Fluminense, também não foi incluída no plano de investimentos federais.
Para analistas, a exclusão dos aeroportos da região evidencia o enfraquecimento da representatividade política local em Brasília e reflete a desaceleração econômica enfrentada pelo Norte e Noroeste Fluminense nos últimos anos.
Enquanto o país projeta crescimento na malha aérea e aumento no número de passageiros, o desafio em Campos é retomar a operação comercial do aeroporto e reinserir o município no mapa estratégico da aviação regional.
Recentemente, em reunião de secretários, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, atribuiu a falta de investimentos federais ao enfraquecimento da representação parlamentar em Brasília.
A reportagem do Portal VIU! foi ao aeroporto de Campos e conferiu de perto o esvaziamento que reflete o declínio econômico, ouviu o piloto e instrutor de voo, comandante Romário, que pontua o atual contexto e a aponta caminhos para uma revitalização.
Também ouviu o economista e professor da Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense), Alcimar Chagas, que destacou a falta de compreensão da sociedade regional e da classe política sobre as transformações econômicas, o que, segundo ele, dificulta um debate para busca de alternativas para encontrar um novo ciclo econômico.







