A Fuvest propôs, neste domingo (14), um tema pouco usual para os candidatos que chegaram à segunda fase do vestibular: o perdão. Com abstenção de 5,94% — índice menor que os 6,22% registrados em 2025 — os estudantes tiveram duas opções de redação para desenvolver durante a prova, que segue até segunda-feira (15).
A primeira proposta pedia um texto dissertativo-argumentativo sobre a pergunta “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado?”. A segunda sugeria a escrita de uma carta pessoal dirigida a uma personagem fictícia que tivesse acusado o candidato injustamente, explicando as razões para perdoar ou não.
A fundação disponibilizou em seu site as respostas esperadas para as questões discursivas e a orientação geral para a redação, elaboradas pelas bancas responsáveis por cada área.
O que trouxe a coletânea
Seis textos serviram de apoio aos vestibulandos, entre eles:
• “Súplica de oficial nazista provoca reflexão sobre limites do perdão”, de Juliana de Albuquerque;
• um trecho do romance Tudo é Rio, de Carla Madeira;
• o poema Mar Novo, de Sophia de Mello Breyner Andresen;
• a foto “Cessar-fogo em Gaza permite o regresso à casa”, de Abdel Kareem Hana (AP);
• a música “Tá Perdoado”, de Arlindo Cruz;
• e um excerto de Iaiá Garcia, de Machado de Assis.
O que dizem os professores
Para Amanda Rodrigues, analista pedagógica da plataforma Redação Nota 1000!, o tema tem a cara da Fuvest: “É um assunto crítico, sem resposta pronta. O estudante pode defender diferentes perspectivas, mostrando quando o perdão é possível, quando não é e quais são as consequências de concedê-lo ou negá-lo”.
Sérgio Paganim, professor do Curso Anglo, destacou três pontos:
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o caráter mais filosófico do tema, diferente das propostas mais concretas dos últimos anos;
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a abertura para múltiplas argumentações;
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a possibilidade de tratar o perdão no plano individual ou no social, ampliando a discussão.
Para Paula Nogueira, professora do Objetivo, a pergunta central da dissertação exigia posicionamento claro: se o perdão pode ser condicionado ou limitado. “Havia espaço para trazer debates atuais, como questões políticas, religiosas e de violência. O candidato podia escolher um lado ou equilibrar os argumentos”, disse.
Sobre a segunda proposta, Paula destacou a necessidade de combinar narração e argumentação: “O estudante precisava criar a situação, explicar o conflito e justificar a decisão de perdoar ou não”.
Questões discursivas de Português
Além da redação, os candidatos responderam a dez questões discursivas envolvendo interpretação de textos, gramática e literatura.
A coordenadora do Objetivo, Vera Lúcia Antunes, avaliou que a prova valorizou o repertório literário dos estudantes: “Quem leu as obras obrigatórias com atenção teve excelente desempenho”.
Como será o segundo dia da Fuvest
Nesta segunda-feira (15), os candidatos farão 12 questões discursivas de duas a quatro disciplinas específicas da carreira escolhida. Exemplos:
• Exatas: matemática, física e química;
• Biológicas: biologia e química;
• Humanas: história e geografia.
Critérios de eliminação
Será eliminado quem:
• zerar a redação;
• errar todas as questões de qualquer um dos dias.
Orientações para a prova
Obrigatório:
– documento de identificação;
– caneta azul ou preta transparente.
Permitido:
– água; alimentos leves; lápis; borracha; régua; itens médicos autorizados.
Proibido:
– relógios, eletrônicos, impressos, corretivos, marca-texto, chapéus, óculos escuros, protetor auricular e qualquer item estranho à prova.
Calendário da Fuvest 2026
• Provas específicas – Música: 9 a 12/12/2025
• Artes Visuais: 11/12/2025
• Artes Cênicas: 5 a 9/01/2026
• Primeira chamada: 23/01/202
*Da Agência Fonte Exclusiva








