De todos os times de usina surgidos em Campos, o Aliança (Usina do Queimado) foi o time de campanha mais exitosa, tendo sido tricampeão campista em 36-37-38.
Segundo Aristides Leo Pardo (No país do Futebol, Cidade sem Memória), “um grupo de funcionários que sempre se reuniam nas horas de folga para jogarem futebol”, teve a feliz ideia de formar uma equipe de futebol “para se filiar à Liga Campista de Desportos (LCD) e que se fizesse presente nos campeonatos promovidos por essa entidade” (p. 30).
Ainda segundo Pardo, A iniciativa teria partido de Laudelino Batista e Antônio da Silva Sá, “respectivamente foram o primeiro presidente e vice do clube”, que recorreram aos “irmãos Julião e Inácio Nogueira, proprietários da usina e grandes admiradores dos esportes em geral, que gostaram muito da idéia e não só autorizaram a criação do time, como também colaboraram em muito para o seu desenvolvimento” (p. 30).
Consultando fontes de época (Correio da Manhã, 23/12/1932), o jornalista Thiago Berriel (“Aliança, uma história curta, mas gloriosa”) detalha de forma mais precisa que o Aliança foi criado pela “fusão de dois times formados por trabalhadores da Usina do Queimado: o Queimadense Football Club e o Sport Club Vicente Nogueira”. Segundo Berriel, os próprio donos da usina teriam patrocinado a fusão e que “para acabar com uma rivalidade existente entre os primeiros times dos trabalhadores, deram a eles um terreno para sediar o campo da nova equipe”.
A solenidade de criação do clube ocorreu no dia 24 de abril de 1932, data oficial de fundação do Aliança. Foi secretariada pelo “jornalista e maestro Prisco de Almeida, ocorrida no pátio da usina (p. 30). No mesmo evento é que se decidiu o nome do clube. Ainda segundo Pardo, “as cores foram inspiradas no ambiente que os cercavam: o verde dos canaviais e o branco do açúcar” (p. 30).

O jogo de estreia da agremiação foi contra o Industrial, no campo do Goytacaz, na Lapa, e terminou em empate por 1 x 1 (p. 30).

O jogo de estreia da agremiação se deu contra o Industrial, “no campo do Goytacaz, na Lapa, e terminou em um empate de 1 x 1” (p. 30).

Curiosamente, entre aqueles que disputaram os campeonatos de futebol da Liga Campista, o Aliança foi talvez o clube de usina de menor tempo de existência. Fundado em 23 de abril de 1932, e mesmo após vários títulos como o referido tricampeonato em Campos, o time disputaria seu último campeonato profissional em 1947.

Eis a campanha do clube no tricampeonato da Liga Campista, segundo informações do jornalista e historiador Paulo Ourives (“Os 61 certames campistas de futebol”):
1936
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Aliança 2×1 Industrial
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Aliança 5×1 Itatiaia
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Aliança 0x0 Campos
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Aliança 1×1 Rio Branco
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Aliança 3×0 Goytacaz
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Aliança 3×0 América
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Aliança 1×1 Industrial
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Aliança 3×1 Itatiaia
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Aliança 2×1 Campos
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Aliança 1×0 Rio Branco
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Aliança 1×2 Goytacaz
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Aliança 6×2 Americano
Time-base: Eiras; Tote e Salvador; Antoninho, Lessa e Bau; Jorginho, Vicente, Ratinho, Neneco e João.
1937
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Aliança 1×1 Americano
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Aliança 5×2 Goytacaz
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Aliança 1×1 Itatiaia
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Aliança 1×1 Rio Branco
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Aliança 2×0 Industrial
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Aliança 4×0 Campos
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Aliança 2×2 Americano
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Aliança 5×2 Goytacaz
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Aliança 0x0 Itatiaia
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Aliança 3×2 Rio Branco
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Aliança 1×4 Industrial
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Aliança 3×2 Campos
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Aliança 0x0 Americano
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Aliança 3×3 Goytacaz
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Aliança 2×2 Itatiaia
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Aliança 3×1 Rio Branco
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Aliança 4×1 Industrial
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Aliança 3×1 Campos
Time-base: Eiras; Tote e Salvador; Carbono, Lessa e Bau; Jorginho, Lelé, Cláudio, Neneco e Rebite.
1938
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Aliança 3×3 Itatiaia
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Aliança 2×2 Goytacaz
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Aliança 1×2 Campos
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Aliança 2×1 Rio Branco
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Aliança 2×2 Americano
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Aliança 3×2 Industrial
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Aliança 2×1 Itatiaia
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Aliança 5×4 Goytacaz
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Aliança 5×1 Campos
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Aliança 2×0 Americano
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Aliança 4×0 Industrial
Time-base: Bueno; Cachola e Cantagalo; Laerte, Neto e Bau; Jorginho, Irineu, Cláudio, Neneco e Rebite.
Da época de maior sucesso, os jogadores de maior destaque foram Cláudio, Carbono, Lessa, Vicente, Rebite, Irineu e Evaldo Freitas.
Aristide Leo Pardo ainda destaca que o Aliança acabou fornecendo um importante quadro que participaria de grandes conquistas de um grande clube da cidade do Rio de Janeiro: “Foi também de seus quadros, que saiu para o Vasco da Gama, o grande jogador Lelé, titular absoluto do time carioca que, na década de 40, conquistou vários títulos, entre eles o campeonato sul americano de 1946 e entrou para a história conhecido como o ‘Expresso da Vitória’” (p. 31).
Extinto o clube no final da década de 1940, ele seria retomado pelos mesmos funcionários da Usina do Queimado, mas agora com outro nome – União do Queimado. É possível que o dono da usina tenha retirado o apoio. Fato é que o União disputaria nos anos 1950 algumas edições do campeonato profissional campista, sem o mesmo brilho do Aliança. Logo depois passaria a jogar apenas a divisão amadora, pelo menos até a década de 1970, quando foi extinto definitivamente.
Para saber mais:
BERRIEL, Matheus. “Aliança, uma história curta, mas gloriosa”, Folha da Manhã, matéria publicada no dia 02/09/2023. Disponível em: https://www.folha1.com.br/esporte/2023/09/1293200-alianca-uma-historia-curta-mas-gloriosa.html.
PARDO, Aristides Leo. No país do Futebol, Cidade sem Memória – A história Futebolística de Campos dos Goytacazes. Campos dos Goytacazes: Edição do autor, 2007.
OURIVES, Paulo. “Os 61 certames campistas de futebol”. Disponível em: http://historiafutebolcampista.blogspot.com.br/2008/09/os-61-certames-campistas-de-futebol.html.
Meta descrição: Conheça a inspiradora trajetória do Sport Club Aliança, time tricampeão campista e fluminense dos anos 1930, seu legado esportivo e impacto no futebol do Rio de Janeiro.








