Um relatório da ONG Public Eye acusa a multinacional suíça Nestlé de violar diretrizes nutricionais globais ao vender cereais infantis com adição de açúcar em diversos mercados africanos. O estudo analisou produtos da marca Cerelac e revelou que mais de 90% das amostras continham níveis elevados de açúcares adicionados.
Segundo a ONG, os cereais são promovidos como “especialmente desenvolvidos para atender às necessidades nutricionais” de bebês, mesmo em regiões com altos índices de obesidade e desnutrição infantil. Dados da empresa de pesquisa Euromonitor indicam que as vendas anuais de Cerelac na África superam 250 milhões de dólares, com a Nestlé detendo mais de 50% do mercado.
O relatório comparou as versões africanas com as comercializadas na Suíça, Alemanha e Reino Unido, que não possuem açúcar adicionado, levantando questionamentos sobre a consistência das práticas da multinacional em diferentes regiões. A ONG alerta que o consumo excessivo de açúcar pode gerar riscos graves à saúde das crianças, a curto e longo prazo.
A denúncia surgiu pouco depois de uma carta aberta da Rede Internacional de Ação pela Alimentação Infantil (IBFAN), assinada por 19 organizações civis de 13 países africanos, enviada ao CEO da Nestlé, Philipp Navratil. As entidades destacaram que todos os bebês têm direito a uma nutrição saudável, independentemente de nacionalidade ou cor da pele.
Em resposta, a Nestlé reconheceu os riscos do consumo elevado de açúcar e, em sua página sul-africana, recomendou limitar a ingestão de açúcares adicionados para proteger a saúde infantil.
O caso reacende o debate sobre práticas comerciais de multinacionais em mercados em desenvolvimento e a desigualdade na oferta de produtos nutricionalmente adequados para crianças ao redor do mundo.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








