O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (27) que Donald Trump garantiu um acordo rápido para revisar as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O encontro entre os dois líderes ocorreu na Malásia, durante a 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
“Ele me garantiu que teremos um acordo, e acredito que será mais rápido do que muita gente pensa”, declarou Lula em coletiva de imprensa. Segundo o presidente, representantes dos dois países devem se reunir nas próximas semanas, em Washington, para tratar dos detalhes.
Durante a conversa, Lula disse ter pedido a suspensão das tarifas e a revisão das sanções aplicadas pelos EUA a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a autoridades do governo brasileiro. As punições incluem medidas contra o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e até o cancelamento do visto de sua filha de 10 anos.
O governo americano justificou as sanções com base na Lei Magnitsky, que prevê punições a estrangeiros acusados de violações de direitos humanos. O programa Mais Médicos, segundo Washington, teria envolvido trabalho forçado de profissionais cubanos entre 2013 e 2018 — interpretação rejeitada por Brasília.
Lula relatou que Trump se mostrou “surpreso” ao saber da amplitude das sanções e afirmou que o tema será tratado diretamente entre ambos, enquanto assessores discutirão questões comerciais. O presidente brasileiro também defendeu o julgamento do STF que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe, classificando-o como “sério e com provas contundentes”.
Apesar das divergências, Lula afirmou ter sentido “sinceridade” no encontro com o republicano. “Quando você conhece uma pessoa pessoalmente, é diferente. É preciso olhar nos olhos, apertar a mão. Acho que houve franqueza na conversa”, disse.
O encontro marcou a primeira reunião formal entre Lula e Trump. A relação entre os dois estava estremecida desde que Washington anunciou, em julho, o tarifaço contra o Brasil. A reaproximação começou em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Antes da reunião, Trump declarou à imprensa que era “uma honra estar com o presidente do Brasil” e expressou otimismo com a retomada das negociações. Após o encontro, a Casa Branca publicou uma foto dos dois cumprimentando-se, acompanhada da frase: “Acredito que faremos ótimos acordos para os dois países.”
Além das questões comerciais, Lula ofereceu a Trump apoio para intermediar o diálogo entre Estados Unidos e Venezuela, defendendo que a América do Sul permaneça uma “zona de paz”.
A delegação brasileira na viagem ao Sudeste Asiático inclui os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Carlos Fávaro (Agricultura), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
*Da Agência Fonte Exclusiva








