Um estudo internacional publicado na revista Nature Communications revelou que mulheres apresentam maior risco genético de desenvolver depressão em comparação aos homens. A pesquisa, considerada a maior já realizada sobre diferenças sexuais na depressão grave, identificou 16 variantes genéticas associadas à condição em mulheres, contra oito em homens.
O trabalho foi liderado pelo Instituto de Pesquisa Médica QIMR Berghofer, na Austrália, e analisou dados de DNA de mais de 580 mil pessoas em cinco coortes internacionais, incluindo Austrália, Holanda, Estados Unidos e Reino Unido. No total, foram avaliados 130.471 mulheres e 64.805 homens diagnosticados com depressão grave, além de 291.706 indivíduos sem o diagnóstico.
Segundo a pesquisadora Brittany Mitchell, do QIMR Berghofer, as descobertas ajudam a explicar por que mulheres têm duas vezes mais probabilidade de desenvolver depressão ao longo da vida. “Já sabíamos que a doença se manifesta de forma diferente entre os sexos. Agora, conseguimos evidências de que a genética também desempenha um papel importante”, afirmou.
Os pesquisadores também identificaram uma correlação mais forte, no caso das mulheres, entre depressão e características metabólicas, como alterações de peso e síndrome metabólica. Isso poderia explicar a maior frequência de sintomas relacionados à energia e ao metabolismo em pacientes do sexo feminino.
Apesar da robustez da amostra, os autores destacam algumas limitações, como o fato de os participantes serem majoritariamente de ascendência europeia. Eles reforçam que novos estudos devem incluir populações mais diversas.
Especialistas independentes consideram os resultados um marco. Para o professor Philip Mitchell, da Universidade de Nova Gales do Sul, as descobertas apontam para a possibilidade de tratamentos farmacológicos distintos para homens e mulheres no futuro, já que as regiões genômicas afetadas apresentam pouca sobreposição.
Além dos fatores genéticos, os autores lembram que aspectos sociais e ambientais, como a maior exposição das mulheres a situações de violência e abuso, também aumentam os riscos. Por isso, defendem uma abordagem multifacetada, unindo biologia, ambiente e comportamento, para compreender melhor as disparidades na saúde mental entre os sexos.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








