O governo Lula está em alerta e projeta que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (2) pode triggerar uma nova leva de sanções econômicas dos Estados Unidos.
A Primeira Turma do STF inicia o julgamento dos acusados de serem integrantes do núcleo central da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Bolsonaro é apontado pela PGR como o “principal articulador e autor” das ações para se manter no poder.
A conexão entre o caso e a política externa ficou explícita quando o presidente americano, Donald Trump, citou a situação processual de Bolsonaro entre as justificativas para impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, medida em vigor desde agosto.
Diante da exigência de Trump pelo encerramento dos processos, assessores do Planalto avaliam que a relação bilateral entrou em uma “fase crítica”. Uma eventual condenação do ex-presidente é vista como um potencial estopim para novas retaliações, que poderiam atingir até mesmo ministros do STF.
Reciprocidade como Estratégia
Em resposta, o governo brasileiro iniciou internamente os trâmites para preparar medidas de reciprocidade. Fontes oficialistas afirmam que o movimento era planejado e não é uma reação direta ao julgamento, mas sim à percepção de que o “tarifaço” tem motivação política.
O objetivo é ter o instrumento legal pronto para uso, se necessário. Como o processo é burocrático e longo, qualquer retaliação efetiva só poderia ser implementada no final deste ano ou em 2026.
Entre as possibilidades em estudo, descartam-se barreiras tarifárias – que prejudicariam a indústria nacional – e privilegiam-se respostas políticas. As opções incluem ações na área de propriedade intelectual, como a quebra de patentes de medicamentos, e a taxação de aplicativos de streaming americanos.
A estratégia do Itamaraty é usar o avanço dos procedimentos como um elemento de pressão para abrir diálogo com os EUA, que até agora têm evitado negociar o tema. A resposta final a novas sanções será calibrada para minimizar impactos na economia brasileira e maximizar o efeito político internacional.
Da Agência Fonte Exclusiva.








