Uma jazida localizada em Poços de Caldas, Minas Gerais, com potencial para suprir cerca de 20% da demanda mundial de terras raras, está no centro de uma disputa geopolítica e econômica envolvendo grandes potências e empresas internacionais. A informação foi divulgada neste domingo (3) pelo portal G1.
Mesmo diante das recentes tensões entre Brasil e Estados Unidos, o governo norte-americano procurou autoridades brasileiras para demonstrar interesse na aquisição de minerais críticos e estratégicos (MCEs) da região. Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, o encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, fez uma manifestação formal à diplomacia brasileira.
As terras raras são insumos fundamentais para a produção de tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, baterias, painéis solares, carros elétricos e equipamentos militares. Apesar do nome, esses elementos não são exatamente raros, mas são considerados estratégicos devido à complexidade do processo de extração e refino.
As formações geológicas da caldeira de Poços de Caldas representam uma vantagem competitiva, com minerais concentrados em argilas iônicas a apenas 30 metros da superfície — um fator que facilita a exploração em comparação com outras jazidas pelo mundo.
Processar para crescer
O governo brasileiro tem deixado claro que não deseja repetir o modelo de simples exportação de matéria-prima. A proposta é fomentar o processamento local desses recursos e agregar valor à cadeia produtiva, com o objetivo de fortalecer a indústria nacional, gerar empregos qualificados e garantir soberania mineral.
Segundo relatório da ONU sobre comércio e desenvolvimento, países que investem em industrialização e processamento local aumentam significativamente seus ganhos. Um exemplo citado é o da República Democrática do Congo, que passou a lucrar quase três vezes mais com o cobalto após adotar o beneficiamento do mineral.
Corrida global por terras raras
Atualmente, a China domina o setor global de terras raras, sendo responsável por 75% da mineração, 85% do refino e 95% da produção de ímãs à base desses elementos. Para romper essa dependência e impulsionar a produção nacional, o Brasil criou o laboratório CIT SENAI ITR em Lagoa Santa (MG), com foco no desenvolvimento de ímãs com tecnologia nacional.
Duas mineradoras australianas já negociam o início da exploração da jazida mineira, com previsão de operação entre 2026 e 2027. O Brasil, no entanto, quer mais do que vender o minério bruto. A estratégia é formar uma cadeia completa, com tecnologia própria e valor agregado, semelhante ao modelo chinês.
Com a demanda global por energia limpa e tecnologias sustentáveis em alta, os olhos do mundo — e especialmente dos Estados Unidos — estão voltados para o subsolo brasileiro. Agora, o desafio é garantir que essa riqueza mineral contribua para um futuro mais industrializado, soberano e sustentável para o país.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








