A 26ª Exposição Agropecuária de Presidente Kennedy (EXPOKENNEDY 2025), no sul do Espírito Santo, marcada para julho, está no centro de uma polêmica. A prefeitura do município capixaba, administrada interinamente por Júnior Gromobol (PSB), contratou cinco shows nacionais que somados ultrapassam R$ 1 milhão.
São cinco shows nacionais com valores que variam de R$ 160 mil a R$ 400 mil, totalizando R$ 1,3 milhão em cachês. Enquanto isso, moradores denunciam a falta de medicamentos em postos de saúde e a precariedade de serviços básicos.
Os contratos milionários
Os dados divulgados no Portal da Transparência revelam detalhes dos contratos:
- Solange Almeida: R$ 400 mil (show em 11/07).
- Vitor Fernandes: R$ 380 mil (12/07).
- Zé Ricardo e Thiago: R$ 180 mil (11/07).
- Banda Djavu com DJ Juninho Portugal: R$ 180 mil (13/07).
- Carreiro e Capataz: R$ 160 mil (12/07).
As empresas contratadas têm CNPJs ativos, mas o valor total dos shows representaria quase 10% do orçamento anual da cultura do município em 2025, segundo críticos.
Royalties vs. realidade local
Presidente Kennedy é um dos municípios com maior renda per capita do Brasil, graças aos royalties do petróleo e à Participação Especial na Produção petrolífera. Apesar disso, a população reclama de:
▸ Desabastecimento crônico de remédios em unidades de saúde.
▸ Falta de transporte público.
▸ Falta de investimento em educação e infraestrutura rural.
“É um escândalo ver tanto dinheiro sendo queimado em shows, enquanto crianças precisam de remédios que não chegam”, disse uma moradora que preferiu não se identificar, já que os críticos do governo, segundo ela, ficam marcados.
Contexto político delicado
Júnior Gromobol assumiu a prefeitura interinamente após a anulação da eleição de Dorley Fontão (PSB), cassado por tentar um terceiro mandato irregular. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deverá definir novas eleições, mas ainda depende do julgamento de embargos apresentados pelos advogados de Dorley como tática protelatória.
Enquanto isso, a gestão interina sob o comando indireto de Dorley enfrenta acusações de priorizar eventos midiáticos, além de enfrentar suspeitas sobre os valores exorbitantes dos cachês. A reportagem não conseguiu contato com a assessoria da Prefeitura.
Perguntas sem resposta
- Por que não há transparência nos critérios de escolha dos artistas?
- Como justificar cachês de até R$ 400 mil em um município com uma população de pouco mais de 13 mil habitantes?
- O dinheiro dos royalties está sendo investido de forma prioritária?
A reportagem não conseguiu informações se o Ministério Público do ES foi acionado para analisar a legalidade dos contratos. Enquanto isso, a população aguarda respostas – e remédios.
FRASE:
“Enquanto a música toca na EXPOKENNEDY, a saúde pública silencia.” – Morador anônimo de Presidente Kennedy.
*Fonte: Dados extraídos do Portal da Transparência de Presidente Kennedy-ES em 13/05/2025.





