O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou, nesta segunda-feira (14), o novo campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, encerrando anos de funcionamento precário em contêineres e prédios alugados.
O evento, porém, foi palco de tensões: o prefeito Wladimir Garotinho (Republicanos), aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL), foi recebido com vaias intensas, interrompidas apenas após um apelo de Lula.
Vaias ao prefeito e aliança sob investigação
Wladimir Garotinho, que mantém uma aliança política com Flávio Bolsonaro – apoiada em emendas parlamentares –, discursou de forma constrangida.
O prefeito defendeu a agricultura como “vocação do interior”, pedindo mais investimentos no setor. A plateia, majoritariamente composta por estudantes e apoiadores de Lula, reagiu com hostilidade, refletindo o descontentamento com suas políticas locais, incluindo demissões em massa de trabalhadores sem vínculo empregatício (RPAs), após as eleições de 2024.
Em contraste, Lula destacou a educação como pilar para o desenvolvimento: “Não existe exemplo de sociedade que progrediu sem investir em educação. É a base para tudo se transformar”. O presidente vinculou o acesso ao ensino à independência feminina e à justiça social, reforçando que a população não deve depender de “favores políticos”, mas sim de estudo: “Estudar é a única saída para realizar sonhos”, disse.
Investimentos e novos projetos
O campus da UFF recebeu investimentos de R$ 72 milhões, sendo R$ 41 milhões de emendas parlamentares da bancada parlamentar fluminense.
Além da estrutura universitária, Lula autorizou a construção de um novo campus do Instituto Federal Fluminense em Magé e o lançamento da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), com investimento de R$ 100 milhões até 2027 em parceria com a Fiocruz.
Enquanto o governo federal aposta em educação, a gestão de Wladimir Garotinho enfrenta críticas por cortes em serviços públicos e demissões de RPAs, categoria que atua em condições precárias.
A cerimônia simbolizou não apenas um avanço infraestrutural, mas a polarização entre projetos políticos: de um lado, a defesa da educação pública; de outro, alianças questionadas e prioridades divergentes em relação ao contexto local.
A tensão entre Lula e aliados de Bolsonaro reflete disputas nacionais, enquanto o STF investiga o uso de emendas parlamentares, mecanismo que sustenta parcerias como a de Wladimir Garotinho e Flávio Bolsonaro.







