Neste país em que se vive a desgraça do retorno da pobreza e fodido pela burguesia golpista, estou em Salvador dando pinta, ouvindo a camareira e com um jovem barroquista na piscina;
Depois de um longo e tenebroso inverno, posto que me tomou noites inteiras de sono, retorno. Estava escrevendo “O BRASIL É UM ESCAMBO – Literatura Telúrica e Memória Cultural: O Brasil e o Outro – Da Carta ao Golpe” (Curitiba, CRV, 2017, 340 p.). Não é que seja difícil escrever sobre a questão do escambo no Brasil. Ao contrário, é que desde a Carta de Caminha, são muitos os escambos e vários os golpes. E a Literatura Brasileira deu conta de falar de todos eles. O grande trabalho foi mostrar como cada autor fez o seu devir-escritor ao tratar o assunto! Valeu a pena e tudo vale a pena, neste Brasil sempre com as nádegas de fora para o mundo.
NA IMAGEM ACIMA O autor Deneval Siqueira na piscina do Golden Tulip, em Salvador-BA
Eu faço parte DESSA BUNDA farta que se abre ao mundo, pois que logo que terminei o livro, vim pra Salvador, dar minha pinta!!!! E como dói!
Acabo de, na piscina do Golden Tulip Salvador, tomar uma água de coco e conversar com um rapaz barroco, todo trabalhado no dilema, sobre as condições fraudulentas da alegria brasileira. Esse país é barroco, sem dúvida. Vive entre a desgraça do retorno da pobreza e a abundância lato-sensu, consumatus est fulminatus sunti, fodidos que estamos nessa situação calamitosa, provocada pela burguesia golpista – a burguesia fede!, não é mesmo Cazuza? E também pelos ladrões golpistas que estão no poder.
Agora há pouco mesmo encontrei com a camareira do meu quarto, na ala 5 do poderoso hotel Golden, cantando, ao entrar para arrumar a suíte: “Oi, meu nome é Val. Vou arrumar tudo e deixar tudo nos brilhos.” Val! E eu “Vaval”! para os íntimos. Comentei com ela, feliz, sem saber ainda, ou entender talvez, do que está sendo vítima, terceirizada que é. Uma simpatia a baiana.
E que seus direitos trabalhistas, enquanto operária terceirizada, estão correndo seríssimos riscos. Cantou, cantou, cantou! Só não era “Lata d’água na cabeça…”. Era um reggae baiano regado a uma alegria contagiante.
Subi. Tomei minha água de coco. Meu nobre jovem barroquista mergulhou na piscina. Um dilúvio! Ele! E logo depois, eu voltei ao lobby para escrever minha crônica de domingo para a VIU!.
Estamos mesmo de bruços, diria Hilda Hilst, aguentando o pepinão: “Se gritar pega ladrão, não fica um meurmão!”. Pega ladrão! Sumiu todo mundo. Ué, será que vai chover? Mas estava um sol tão lindo!!!! E o rapaz barroquista? E Val?
Deve estar ainda cantando: “Joga pedra na Geni, joga pedra na Geni, ela boa de apanhar, ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um, maldita Geni!”
Ressuscitados, A Geni e o Zepelim. Sem saber, Val me deu o mote deste texto! Estamos no Zepelim, na Arca de um temeroso e asqueroso, vampiresco e bobão espertalhão que vai cair. Salve-se quem puder.
E lá vou eu no Zepelim da Val, com o rapaz barroquista que acabou de chegar ao lobby.
– Oi, Vaval!!!!!!!!
No lobby do nosso zepelim. E dá-lhe pedra na Geni…
Valgeni era o nome da alegre camareira! Esta é pra ser uma história triste. Só que não!








