Estado do Rio mobiliza postos de saúde em 92 municípios para imunizar 6 milhões de pessoas; especialistas alertam para o risco de reurbanização da doença
Da redação
Com 23 casos de febre amarela confirmados, o Estado do Rio de Janeiro mobilizou os postos de Saúde dos 92 municípios fluminense neste sábado (8) para o Dia D da campanha de vacinação.
A expectativa é imunizar entre 5 e 6 milhões de pessoas até o fim deste ano, no momento em que pesquisadores alertam para o risco de reurbanização da doença. A campanha dá continuidade à estratégia do Estado, adotada de forma preventiva desde o início do ano, de vacinar toda a população do RJ contra a doença.
A meta é vacinar todos aqueles que moram ou que vão viajar para o Rio de Janeiro, que têm entre nove meses e 59 anos de idade e nunca receberam alguma dose da vacina. Ainda este mês, o Ministério da Saúde vai enviar 1,5 milhão de doses de vacina contra febre amarela ao estado. Além disso, a pasta se comprometeu a repassar mais 500 mil doses mensais ao estado.
A partir da solicitação da Secretaria Estadual de Saúde (SES) feita no início deste ano, antes mesmo de terem sido registrados casos da doença no território fluminense, a vacina contra a febre amarela passará a fazer parte do calendário de rotina no Rio de Janeiro a partir do ano que vem.
“Como preconizado pela Organização Mundial da Saúde, o Brasil passou a adotar a dose única da vacina contra a febre amarela, que garante a proteção do indivíduo por toda a vida, assim como já ocorre internacionalmente. Portanto, quem já se vacinou, não importa há quanto tempo, não precisa se vacinar novamente. Este é o momento de intensificar as ações e reforçar a importância da vacina junto à população ainda não imunizada. A vacina contra a febre amarela é segura e apresenta alto índice de eficácia”, destaca Alexandre Chieppe, subsecretário de Vigilância em Saúde.
ALERTA DA FIOCRUZ
Estudo feito pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em parceria com o Instituto Pasteur, da França, mostrou que o Brasil corre o risco de uma reintrodução do vírus da febre amarela no ambiente urbano.
A pesquisa envolveu 11 populações de mosquitos transmissores da doença no Brasil (Aedes aegypti, Aedes albopictus, Haemagogus leocucelaenus e Sabethes albipirvus) e uma do Congo, na África, local de origem do vírus. O trabalho foi publicado na revista internacional Scientific Reports e contou também com a colaboração do Instituto Evandro Chagas, do Pará.
Três regiões que representam cenário epidêmico e epizoótico (em que a infecção ocorre ao mesmo tempo em vários animais de uma mesma área geográfica, semelhante a uma epidemia em humanos) da febre amarela silvestre foram pesquisadas: Rio de Janeiro, Goiânia e Manaus.
Segundo a entomologista Dinair Couto Lima, pesquisadora do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários da Fiocruz, o Rio de Janeiro é o que apresenta o maior potencial de disseminação do vírus em área urbana. Em Goiânia e Manaus as populações de mosquitos também foram suscetíveis à transmissão da doença, mas em menor grau.
Os pesquisadores infectaram os mosquitos com três cepas do vírus, sendo duas que circulam atualmente no Brasil e uma na África.
“As populações que hoje existem no Brasil de Aedes aegypti são competentes para a transmissão do vírus que circula atualmente nas áreas silvestres e, com isso, há uma probabilidade de ter uma reintrodução do vírus no ambiente urbano”, aponta o estudo.
Dinair, que é a primeira autora do artigo, explicou que isso é possível porque as pessoas se infectam no ambiente silvestre e, ao retornarem à cidade, são picadas pelo Aedes aegypti, que é o principal vetor de febre amarela urbana. Com isso, inicia-se um ciclo urbano. A pesquisadora deixou claro, contudo, que até agora esse cenário não foi identificado.
O risco de reurbanização da doença é real, mas segundo Dinair não há motivo para pânico na população. Para impedir que a febre amarela, até então silvestre, possa voltar a circular nas cidades, devem ser tomadas medidas preventivas, com destaque para a vacinação, principalmente de crianças. Outra medida importante é a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti.
“Essas são as duas possibilidades que temos a fazer no controle de uma emergência de febre amarela urbana”, disse a entomologista.
Dinair lembrou que a vacinação deve ser exigida pelas autoridades também de pessoas que vêm para o Brasil, que são oriundas de áreas endêmicas, como a África. Essa é uma regra internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS).
“A vacina é a única barreira que tem [contra a circulação do vírus]”, insistiu. Dentre os flavivírus que circulam hoje no Brasil, entre eles Dengue, Chikungunya e Zika, a febre amarela é a única para o qual existe vacina.
CICLO DA DOENÇA
O ciclo de vida do vírus da febre amarela ocorre só entre mosquitos e macacos. O homem se infecta acidentalmente ao entrar na mata em que o vírus está circulando. Se estiver sem vacina, é infectado. No seu retorno à cidade, diante da população de Aedes aegypti competente para transmitir o vírus, há a possibilidade de ocorrer a reurbanização da febre amarela, reforçou Dinair.
A entomologista lembrou que a febre amarela é uma doença cíclica, que tem o período mais crítico no verão, diminuindo sua incidência no inverno. Prova disso, segundo ela, é que o número de casos de febre amarela silvestre diminuindo. O momento atual é ideal para a população e o Poder Público trabalhem para eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti.
NÚMERO DE PESSOAS INFECTADAS NO ESTADO DO RJ
– 7 casos – Casimiro de Abreu, sendo um óbito
– 1 caso – São Fidélis
– 1 caso – São Pedro da Aldeia* – (*paciente contraiu a doença em viagem à zona rural de Casimiro de Abreu)
– 2 casos – Porciúncula, sendo dois óbitos
– 1 caso – Maricá, sendo um óbito – (*área rural do município)
– 5 casos – Macaé, sendo dois óbitos
– 1 caso – Silva Jardim, sendo um óbito
– 1 caso – Santa Maria Madalena, sendo um óbito
– 1 caso – Cachoeiras de Macacu
– 1 caso – Niterói* – (*paciente contraiu a doença em Maricá)
– 1 caso – São Gonçalo* – (*paciente contraiu a doença em Maricá)
– 1 caso – Bom Jesus do Itabapoana
*Total: 23
CASOS CONFIRMADOS EM MACACOS
– São Sebastião do Alto
– Campos dos Goytacazes
– Maricá
– Carmo
– Rio das Flores
– Macaé
– Petrópolis
– Macuco
– Santa Maria Madalena
*Total: 9
DOSES DA VACINA EM 92 MUNICÍPIOS
TOTAL: 5.926.305 doses*
*A distribuição de doses entre os municípios obedece aos critérios técnicos estabelecidos com base na avaliação do cenário epidemiológico, capacidades operacional e de armazenamento dos municípios, além do número de habitantes elegíveis para imunização, para que as prefeituras possam organizar suas estratégias de vacinação.
**A orientação da Subsecretaria de Vigilância em Saúde, emitida por meio de notas técnicas enviadas aos 92 municípios, é para que a prioridade de imunização esteja voltada para a população que vive em áreas próximas às matas e zonas rurais e quem se desloca para essas áreas, uma vez que a doença está sendo transmitida por vetores silvestres.
Fonte: Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do RJ
*Agência VIU! com EBC








