Sob os efeitos da vitória eleitoral de 6 de outubro, os apoiadores de prefeitos reeleitos ou eleitos para o primeiro mandato nas cidades petrorrentistas ainda não observaram as projeções de cenário para 2025.
No plano macroeconômico, o que se prevê é uma redução na cotação internacional do barril do petróleo, provocada por queda de demanda decorrente da retração na economia da China.
O cenário mais otimista prevê a cotação do petróleo tipo Brent (referência na definição de repasses de royalties e participação especial no Brasil) no patamar de US$ 78 (este ano a cotação chegou acima de US$ 80). Este é o cenário avaliado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês).
Uma corrente mais conservadora avalia que a cotação poderá chegar na casa dos US$ 50 no próximo ano, com a moeda norte-americana oscilando na cotação de US$ 5,20 a US$ 5,50.
Nesta corrente do Brent na casa dos US$ 50 está o colunista da agência Bloomberg, Javier Blas, com base nos estudos de todos os prognósticos ditados pela geopolítica.
Contudo, neste momento o mercado está atento a quatro movimentos no contexto internacional: economia chinesa, guerra no Oriente Médio, eleição presidencial nos EUA e o avanço da indústria de carros elétricos. Segue uma avaliação sobre esses quatro tópicos:
1 – A China é o grande consumidor de petróleo. Se a economia do gigante asiático vai bem, o mercado petrolífero vai na onda. Trata-se do grande importador mundial do ouro negro. O país, no entanto, está às voltas com crise no setor imobiliário. Se no passado a economia chinesa chegou a registrar crescimento de 7%, o que se projeta para o próximo ano é um crescimento de 3%.
2 – No Oriente Médio, a guerra entre Israel e o Líbano é um fator de desestabilização no mercado, mas o cenário só poderá impactar no preço do petróleo caso o Irã seja arrastado para a guerra, sofrendo ataques em sua infraestrutura de refino e geração de energia nuclear. Neste caso, o conflito se agravaria, atraindo outros produtores de petróleo no Oriente Médio para o conflito, reduzindo a oferta e aumentando os preços. Esta seria, em tese, uma das poucas possibilidades de preços elevados.
3 – Na eleição norte-americana, uma eventual vitória de Donald Trump reduziria o apoio dos EUA às guerras externas, já que o eleitorado do candidato Republicano pressiona por uma maior dedicação aos problemas internos do país. Redução de conflitos é sinônimo de equilíbrio de preços.
4 – A indústria de carros elétricos avança sem ainda ameaçar o mercado petrolífero, no entanto, conjugado com outros fatores também tira uma fatia deste mercado.
Queda de arrecadação
A estabilização nos preços do petróleo ou redução refletirá em queda de arrecadação para as cidades petrorrentistas, principalmente as que estão com o custeio elevado, o que pode ser definido como ressaca de ano eleitoral. Em ano eleitoral o gasto foi desenfreado.
A Bacia de Campos, que concentra cidades com a maior parte do custeio ancorada em repasses de royalties do petróleo, tem ainda um outro agravante: a queda contínua de produção nos poços maduros. A região que já respondeu por 80% da produção nacional atualmente representa apenas 30%.
O pré-sal é o grande produtor de petróleo nacional, com projeção decrescente a partir de 2030, o que tem levado o Brasil para a exploração na faixa equatorial.
No cenário de queda de arrecadação, todos os caminhos conduzem os prefeitos para adoção de medidas amargas e antipopulares para equilibrar o caixa. O receituário é corte de despesas, renegociação de contratos, demissões, renegociação de dívidas de impostos e aumento de carga tributária visando a recuperação de receita própria.








