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Mortes por chuvas no Rio Grande do Sul chegam a 24

Entenda as causas de uma das piores tragédias climáticas no estado e por que a situação deve piorar

redacao Por redacao
02/05/2024 - 15:39
em Política
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MORTES POR CHUVAS NO RJ
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O Rio Grande do Sul vive uma de suas piores tragédias climáticas. A chuva que persiste há pelo menos uma semana colocou o estado inteiro em situação de calamidade e deve continuar pelos próximos dias, causando mais estragos. O número de mortos já chega a 24 e dezenas de pessoas estão desaparecidas em meio às cheias.

os meteorologistas explicam que a catástrofe é resultado de pelo menos três fenômenos que afetam a região e foram agravados pelas mudanças no clima. E a tendência é de piora por conta da previsão de mais chuva.

A condição começou em 26 de abril, quando o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao governo federal, emitiu um alerta de tempestades para o estado. Naquele dia, a previsão ainda era de chuvas em algumas regiões do estado. Mas o cenário foi se agravando ao longo dos dias.

Segundo os especialistas, a calamidade é efeito da soma de alguns fatores:

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Havia um cavado, que é uma corrente intensa de vento, agindo sobre a região, o que fazia com que o tempo ficasse instável. Isso se somou a um corredor de umidade vindo da Amazônia, que aumentou a força da chuva. O cenário foi agravado por um bloqueio atmosférico, reflexo da onda de calor, que fez com que o centro do país ficasse seco e quente, deixando a chuva concentrada nos extremos.

“O cenário era instável na região há alguns dias, mas a soma desses fatores fez intensificar a chuva. O que acontece é que tivemos várias frentes frias que não conseguiram se dissipar para outras regiões por causa do bloqueio atmosférico e, com isso, elas passaram a agir sobre todo o Rio Grande do Sul.”

— Fábio Luengo, meteorologista da Climatempo.

O que as mudanças climáticas têm a ver com isso? O calor da Terra e dos oceanos impacta a atmosfera e faz com que os eventos climáticos aconteçam com mais força.

O que o meteorologista explica é que o Sul do país tem condições que favorecem tempestades nessa época do ano, mas o que seria um evento isolado se transforma em uma catástrofe.

“O oceano mais quente, como estamos vendo agora, faz com que seja gerada mais energia para a formação das chuvas. Com isso, elas chegam nesses níveis, que nunca vimos antes. A mudança no padrão do clima interfere na atmosfera e muda o ciclo dos fenômenos que aconteciam, deixando-os mais intensos”, afirma Luengo.

Cenário de piora

O coordenador da equipe de monitoramento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, explica que a soma dessas condições criou o cenário para o que os especialistas projetam ser o maior volume de chuva já registrado na história do estado.

A previsão é de que a condição se mantenha até o sábado (4) com acumulados que podem chegar até 400 milímetros, que devem se somar aos mais de 300 milímetros de chuva registrados nos últimos 4 dias.

“Nós estamos vendo um acumulado já enorme e que vai se somar porque a chuva não vai parar até o fim de semana. É o maior acumulado com essa dimensão, que cobre um estado inteiro. Os impactos são grandes e a tendência é piorar.”
— Marcelo Seluchi, coordenador da equipe de monitoramento do Cemaden.

O Cemaden, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, é o órgão faz a previsão de desastres e atua dando informações à Defesa Civil e ao governo para que sejam adotadas medidas para minimizar os impactos. Segundo o órgão, o alerta agora segue sendo sobre o volume de chuvas, mas também sobre a possibilidade de deslizamento.

Segundo a Defesa Civil havia confirmado no início desta tarde, 24 pessoas morreram, 21 seguem desaparecidas e mais de 8 mil pessoas estão fora de suas casas por causa dos temporais.

Microexplosão atmosférica

Para além da chuva intensa, que inunda e encharca o solo, trazendo risco de deslizamentos, a região ainda pode passar por uma microexplosão atmosférica – que acontece em cenários de fortes tempestades.

Ela é uma forte corrente de ar que se forma quando uma intensa corrente de vento se desprende da nuvem de tempestade em direção ao solo. O forte impacto causa ventos que podem passar de 100 km/h.

Essa é outra preocupação porque a condição está propensa. Ela acontece em meio a tempestades intensas e é como se o ar que se desprende da nuvem fosse uma bola, que é arremessada em direção ao solo. Sem ter para onde ir, ela se dissipa com o impacto e forma rajadas de ventos intensas.
— Fábio Luengo, meteorologista

Com informações do g1.

Tags: #Chuvas no RJ#Mortes por chuvas no RJ
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