A economista Geyze Diniz usou as redes sociais para se despedir do marido, o empresário Abilio Diniz, que morreu neste domingo em São Paulo, aos 87 anos. Pelo Instagram, ela escreveu que a vida não será mais a mesma sem o companheiro e ressaltou que ficarão eternizados “as lembranças, os aprendizados e as lindas memórias” ao lado dele.
Abilio Diniz e Geyze eram casados desde 2004 e tiveram dois filhos, Rafaela e Miguel. Do casamento com Maria Auriluce Falleiros, o empresário também era pai de Pedro Paulo Diniz, Ana Maria Diniz, Adriana Diniz e João Paulo Diniz, que morreu em agosto de 2022 após um infarto fulminante em sua casa na cidade de Paraty, no estado do Rio.
Na postagem de homenagem ao marido, Geyze agradeceu pelo tempo ao lado de Abilio e exaltou o que chamou de “amor tão verdadeiro”.
“Faltam palavras e me sobram dor e tristeza, mas me sinto em paz e tenho muita fé em Deus, acreditando que era o seu momento de fazer sua passagem. Neste período, imagino que você estava em sua cura espiritual, enquanto nos preparávamos (se é que isso é mesmo possível). Que você siga em paz, meu amor, e seja recebido por Deus com muita luz”, destacou ela.
Ela também disse acreditar que os pais do empresário, Valentim e Floripes, e João Paulo o estariam esperando.
“Nós aqui ficaremos bem e seguiremos seus ensinamentos. Um dia reviveremos este encontro de almas. Te amo, meu Bi”, afirmou.
Causa da morte
Conhecido por ter transformado o Grupo Pão de Açúcar na maior rede varejista do país, Diniz estava internado no hospital Albert Einstein, vítima de insuficiência respiratória em função de uma pneumonite.
A história do varejo brasileiro e do empresário Abilio dos Santos Diniz estão entrelaçadas. Tanto que há alguns anos o jornal britânico Financial Times escreveu que Diniz era um ‘heroi’ para os consumidores brasileiros dada sua perseverança à frente do negócio fundado por seu pai, o português Valentim dos Santos Diniz.
Pão de Açúcar e a história do varejo
A rede de supermercados Pão de Açúcar, que nasceu em 1948 como uma doceria, ganhou este nome pelo amor que o imigrante criou pelo Pão de Açúcar assim que chegou de navio ao Rio de Janeiro, em 1929, e avistou a beleza da paisagem. A doceria transformou-se num império e Diniz num dos mais icônicos empreendedores brasileiros.
Críticos apontavam seu temperamento forte e a obsessão pelo poder como seus principais defeitos. Mas, no mercado, essas duas características sempre foram vistas como essenciais para seu sucesso no varejo nacional. Dono de uma fortuna estimada em US$ 2,4 bilhões pela revista Forbes, ele ocupava em agosto de 2023, a posição 1.272 no ranking global de pessoas mais ricas do mundo.
Entre os brasileiros, Diniz não era só o “pop star” do varejo admirado por sua riqueza e obstinação pelo trabalho: ele ganhou notoriedade como um homem apaixonado por esportes — e torcedor fervoroso do São Paulo Futebol Clube, cidadão religioso e que buscava sempre uma vida saudável. Escreveu livros contando sobre suas crises pessoais e profissionais e, mais recentemente, tornou-se apresentador de televisão num programa de entrevistas.
Era ativo em redes sociais, com mais de 845 mil seguidores no Instagram e 1,3 milhão no Facebook, onde mostrava fotos do cotidiano com a família, suas viagens de férias, além de postar alguns de seus pensamentos pessoais sobre a vida e os negócios. Era esse outro lado de Abilio Diniz, além da faceta de empresário de sucesso, que também atraia a curiosidade das pessoas.
A mesma obstinação pelos negócios e pelos esportes, Diniz manteve pela religião. Como sua mãe, a também portuguesa, Floripes Diniz, o empresário era católico fervoroso. Há alguns anos, ele chegou a fazer uma palestra no altar da igreja de Santa Rita de Cássia, no bairro de Mirandópolis, em São Paulo, onde frequentava as missas. O convite para ouvir o empresário na igreja chegou aos fiéis pelo Facebook: “Encontro de fé e cidadania com Abilio Diniz”.
Com informações do Jornal O GLOBO.








