Contradictio in terminis? Ou realmente existem “promotores vagabundos”?; ex-procurador diz verdades inconvenientes
Por Fernando Orotavo Neto | Via Tribuna da Internet
Intriga, espanta e admira, a declaração prestada pelo ex-procurador-geral do Rio de Janeiro, Claudio Lopes, ao jornal O Globo, publicada neste sábado (29/04, pág. 4), no sentido de que “promotores vagabundos estão vazando documentos para prejudicar a imagem da instituição”.
Isto porque, a meu ver, nada prejudica mais a imagem da instituição do que o ex-procurador-geral declarar que, no MP, existem “promotores vagabundos”. Ademais, se existem promotores vagabundos no MP, cabe perquirir: quem são?
Ora, no momento em que o ex-procurador-geral declara que “há um monte de promotores vagabundos”, deveria o Dr. Claudio Lopes dar nome aos bois, pois a sociedade brasileira tem o direito de saber quem são os vagabundos cujos salários são pagos com o dinheiro do povo do Rio.
Mas como o Dr. Claudio Lopes não nominou os promotores vagabundos, prefiro acreditar que a expressão por ele cunhada não passa de uma contradictio in terminis (contradição entre termos), pois a outra hipótese, vale dizer, tratar-se de um oxímoro, parece ser bem pior para a sociedade fluminense.
Assim, ficamos todos bem, certos de que promotores vagabundos não há no MP e de que a infeliz frase cunhada pelo Dr. Claudio Lopes não passou de um justificado arroubo, próprio daqueles que pensam que “a melhor defesa é o ataque” ou que “um erro justifica o outro”.
Cada país tem o servidor público que merece, mas não há como deixar de sentir pena do Rio, que atravessa a maior crise de moralidade administrativa de sua história…
NOTA DA REDAÇÃO (C.N.) – Em tradução simultânea, oximoro é uma figura de linguagem em que ocorre falso paradoxo, com uso de palavras de sentido contrário. Ou seja, se fosse verdade a existência de promotores vagabundos, seria ainda pior para todos nós. Quanto ao procurador Cláudio Lopes, parece ser um exemplo concretude de vagabundagem funcional.








