Relatório do Fundo Monetário Internacional destaca que as condições da economia mundial são piores do que em 2008; Leia mais:

*Reportagem Especial

A economia mundial está à beira de nova crise financeira. A advertência é do Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com dados do FMI, o valor total da dívida global — tanto no setor público como privado — é 60% maior do que em 2008, ano da última crise financeira.

O Relatório de Estabilidade Financeira Global da organização, citado pelo jornal The Guardian, indica que os governos e reguladores por todo o mundo fracassaram em realizar reformas necessárias para proteger o sistema financeiro da “conduta imprudente” de grandes bancos.

Segundo o FMI, nos últimos dez anos, muito tem sido feito para apoiar reservas de bancos e executar uma supervisão mais rigorosa do setor financeiro, mas “riscos tendem a crescer durante bons tempos, como o atual período de reduzidas taxas de juro e volatilidade moderada”, cita The Guardian.

Entre as principais causas de preocupações, a entidade mencionou o aumento drástico de empréstimos pelos chamados bancos paralelos da China, fracasso em aplicar restrições rigorosas a seguradoras e gestores de ativos que lidam com trilhões de dólares de fundos.

DESAFIOS PARA EVITAR A CRISE

A organização avisa que a economia mundial deverá enfrentar certos desafios para evitar “a segunda Grande Depressão”.

Vale destacar que os empréstimos a reduzidas taxas de juros para empresas e governos não trouxeram investimento em maiores níveis de pesquisa e desenvolvimento ou investimento mais geral em infraestrutura.

Esta tendência desde a quebra do banco Lehman Brothers, que desencadeou a crise financeira global de 2008, tem limitado o crescimento potencial de todos os países e não somente daqueles que mais sofreram as consequências do colapso. Sem contar na economia mundial, que foi deixada em uma posição mais fraca, especialmente em um período de possível desaceleração.

As medidas adotadas após a quebra do banco de investimento Lehman Brothers, considerado um dos pontos de partida da crise de 2008, deixaram a economia mundial com uma proporção de 52% entre a dívida e o PIB, que era 36% antes da crise. Balanços de bancos centrais, especialmente em países desenvolvidos são algumas vezes maiores do que antes do colapso de 2008.

Quanto às economias em desenvolvimento, estas agora representam 60% do PIB global em termos de poder aquisitivo se comparados aos 44% no período antes da crise, “refletindo, parcialmente, uma recuperação fraca nas economias avançadas”, diz o relatório.

TEMORES NOS EUA

Os sintomas também são apontados nos EUA. Para o ex-congressista republicano Ron Paul, o recente aumento do rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano indica que o país está avançando para uma potencial recessão a um ritmo cada vez mais rápido. Ele destaca que breve ocorrerá uma queda de 50% no mercado de valores estadunidenses.

“Estamos chegando muito perto. Eu ficaria surpreso se, no próximo ano, não tiver todo mundo concordando com o que estou dizendo”, disse o político aposentado ao canal CNBC.

Foto: AFP

Ron Paul, ex-candidato à presidência dos EUA, fez esse comentário depois que o rendimento dos títulos do Tesouro estadunidense atingiu seu ponto máximo em sete anos, o que, por sua vez, foi acompanhado por temores sobre um possível aumento da inflação.

“Quando você inflaciona a moeda e distorce as taxas de juros, você vive acima das suas possibilidades e gasta demasiado, tem que haver um ajuste”, disse o republicano.

Paul reconheceu que suas previsões anteriores sobre uma recessão não se realizaram. Entretanto, ele disse que não há como prever a próxima catástrofe econômica e, embora ele não tenha mencionado uma data aproximada para a sua chegada, assegurou que será apenas uma questão de tempo.

“Temos a maior bolha na história da humanidade”, lamentou o político aposentado, e acrescentou que a recessão “chegará, a bolha está maior do que nunca”.

*Sputnik Brasil

 

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