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Chips de inteligência artificial viram centro de guerra tecnológica entre EUA e China

Semicondutores abastecem cada vez mais tipos de equipamentos, são a base para a inteligência artificial e estão alimentando uma corrida pela liderança da indústria entre potências globais

redacao Por redacao
28/05/2023 - 20:35
em Mundo
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Chips de inteligência artificial viram centro de guerra tecnológica entre EUA e China

(Divulgação)

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Depois de travarem a indústria global em meio à falta inesperada de peças durante a pandemia, os semicondutores protagonizam agora, também, a grande disputa geopolítica e econômica que começa a emergir: uma corrida liderada por Estados Unidos e China para ver quem vai dominar esta que deve ser a próxima grande fronteira tecnológica.

Também conhecidos como chips, os semicondutores são pequenos pedaços de silício com milhões de circuitos internos instalados e que, cada vez mais, estão na base de uma sorte enorme de coisas que chegam à vida das pessoas: de celulares, carros e lava-louças a grandes data centers e até mísseis balísticos intercontinentais.

Conforme a inteligência artificial avance e ganhe ainda mais protagonismo em nossos equipamentos e nosso dia a dia, o apetite do mundo por esses micropedaços eletrônicos só deve crescer, fazendo deles uma espécie de petróleo do futuro. E as grandes potências sabem disso.

“A inteligência artificial e a internet das coisas são a próxima revolução industrial, como foi o motor a vapor e, depois, o motor a combustão, e elas não existem sem os microchips e esses supercondutores”, diz o economista Livio Ribeiro, pesquisador associado da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em economia chinesa.

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Ribeiro compara a disputa a uma espécie de nova guerra fria, em que a polarização dos EUA migra da antiga União Soviética para a China, e a corrida não é mais armamentista, nem espacial, mas tecnológica.

“Não é uma briga financeira, algo que vai afetar a balança comercial desses países. É muito mais uma questão estratégica: quem estiver na frente vai definir o conceito, o padrão da tecnologia que será usada. E quem define o conceito, domina”, acrescenta Ribeiro, que é também sócio da consultoria de negócios BRCG.

É o que já acontece, de acordo com o economista, na indústria de painéis solares, em que a China conseguiu se tornar a grande desenvolvedora e fornecedora da maior parte das várias peças necessárias para que os chapas fotovoltaicas possam ser montadas e funcionar em qualquer lugar do mundo.

Peças do tabuleiro

Sede da maior empresa de semicondutores do mundo, a TSMC, Taiwan é também a líder global no fornecimento dessas peças para o resto do mundo, enquanto os Estados Unidos se destacam como base de outros dos grandes e mais tradicionais nomes do setor, como Intel, AMD e Nvidia.

Gravitando em torno deles, estão outros países importantes para a cadeia global de chips, como a Holanda, o Japão e a Coreia do Sul, país de origem da Samsung e LG.

Jogadora mais jovem, a China, entretanto, vem ganhando espaço rápido conforme investe no desenvolvimento de tecnologias que começaram a rivalizar de perto com os concorrentes veteranos.

“A China está acelerando muito em relação ao resto do mundo e, em vários segmentos, como o de inteligência artificial, já é líder em registros de patentes feitos por ano”, diz Ribeiro, da FGV.

“Ela não tem o melhor produto, esta nunca foi a estratégia chinesa, mas trabalha pelo melhor custo-benefício. A China da ‘bugiganga’ acabou, dos produtos precários e baratos. A qualidade melhorou. O produto dela não vai ser tão bom quanto um iPhone, mas vai ser um quinto do preço.”

Guerra comercial

A ascensão da ameaça é notória e a resposta e escalada do conflito vieram na forma de sanções e limitações comerciais.

Os Estados Unidos já suspenderam as vendas de muitos de seus produtos do setor para a China, em uma estratégia que visa restringir o acesso dos parques de montagem chineses às tecnologias desenvolvidas e pertencentes a empresas americanas.

Pressionados, parceiros como Holanda e o Japão também começaram a fazer o mesmo.

Nos capítulos mais recentes, a Apple anunciou, no começo da semana, uma parceria bilionária com a Broadcom, outra fabricante de semicondutores do Vale do Silício californiano, como uma maneira de usar mais chips domésticos em seus aparelhos e reduzir a dependência dos chineses.

Reação chinesa

Ainda sem tecnologia própria a altura para cortar dos adversários, como fez os Estados Unidos, a China tem respondido às restrições usando seu poderio econômico como barganha.

Na semana passada, o país de Xi Jinping alegou “ameaça à segurança nacional” para banir o uso de peças da Micron, maior fabricante de chips de memória dos EUA, em projetos de infraestrutura nacionais.

O decreto tira um mercado gigante do segundo país mais rico do mundo da lista de clientes da companhia americana.

Consenso de analistas, outra carta na manga da China está em Taiwan, o pequeno território vizinho historicamente reivindicado pelos chineses e que vem sofrendo com sinais crescentes de ameaças de invasão.

Isso já colocaria sobre o controle da China o maior parque industrial de semicondutores do mundo — caso, também, não colaborasse para paralisar a produção local ou travar seus embarques para o resto do mundo, a exemplo do que aconteceu com a produção de grãos e energia após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

*Com informações de Américo Martins, Lourival Sant’Anna e Daniel Rittner, da CNN, em Londres, São Paulo e Brasília

Tags: #chips#EUA-China#Guerra Fria 2.0China
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