Uma homenagem a João Gilberto Noll; reconhecido por sua obra literária, escritor teve sua morte confirmada pela família nesta quarta-feira (29/03)
Uma espécie de premonição aconteceu na ocasião, recentemente, dia 27/03.2017: no lançamento de Literatura em transe, na Academia Campista de Letras, Campos/RJ, falava sobre o livro para o público presente e acadêmicos. Chequei ao capítulo que dediquei ao estudo da obra de João Gilberto Noll. Já havia falado de outros autores, Saramago, Clarice, Hilda Hilst, Nuno Ramos, Bernadette Lyra e Waldo Motta. Também da releitura de um livro de 1922 de Múcio da Paixão, meu Patrono na ACL.
Estava relendo a obra de João Gilberto Noll também e havia começado pelo A Máquina de Ser (RJ: Nova Fronteira, 2006), obra que tenho autografada por ele. Não sei o porquê, iniciei a leitura por um dos chamados contos-rito por Paulo Scott no texto de orelha do livro. Lia mais precisamente o conto “Iniciação”, por considerá-lo um primor gilbertiano.
O finado tinha um cocar de penas brancas em torno da cabeça. Estremeci com essa verdade certamente recalcada no cerne duro do meu pensamento: a família de minha mãe, sim senhor, descendia de uma tribo de corpo ruivo quando refletida nas águas negaras do rio… Eu não esperava, vindo aqui, encontrar um funeral a bem dizer indígena. Mas em volta notava-se certa maioria branca. (p.134)
Lembrei-me que em uma das minhas conversas com Noll, falei de Literatura Telúrica e aprofundamos o tema, pois ele me afirmou que (isso por volta de 2005) sua obra era telúrica por excelência. Memória cultural. Raízes! Ritos, autoficção, etc. Tudo está na premiada obra dele.
Em 2002, foi o convidado para falar no I Congresso da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (ABEH) – Homocultura e Cidadania, na Universidade Federal do Espírito Santo, e respondeu a uma pergunta direta: “Sim, minha literatura é GAY!”. Foi o máximo. Foi o ponto alto do Congresso.
E hoje, para homegeá-lo, neste pequeno texto, cito-o em “Iniciação”: De repente, o túmulo proletário, feito só de um reles inchaço de terra, parecia pronto, acabado.”(p. 136)
Fica o canto. Vai-se o poeta. Em movimento está sua imortalidade! Salve Noll!








