Com mais de R$ 3 bilhões anuais de orçamento e sem uma oposição consistente, o prefeito de Campos dos Goytacazes (RJ), Wladimir Garotinho (sem partido), segue até o momento sem grandes problemas para conquistar um segundo mandato na maior cidade do Norte Fluminense, ainda que seja um candidato maduro para a derrota.
Interessante observar que apesar do orçamento recorde, a cidade segue com grandes problemas que foram pontuados pelo próprio Wladimir durante a campanha eleitoral de 2020, para derrotar o então prefeito Rafael Diniz (Cidadania), que administrou um orçamento infinitamente menor no ápice da pandemia da covid-19. Pouca coisa mudou, a não ser o orçamento que deu um salto monumental.
Os prognósticos indicam que até 2024, ano da sucessão municipal, pouca coisa vai mudar, a não ser a diferença de estilo entre gestores. Diniz era mais discreto enquanto que o sucessor é mais carnavalizado.
Em termos de gestão, vamos aos dois principais gargalos: Wladimir foi candidato prometendo resolver um apagão no sistema de transporte de passageiros, chegando a derrubar terminais intermediários de embarque e desembarque, adotados pelo antecessor na tentativa de integrar o transporte auxiliar de vans e os ônibus urbanos.
Perto de completar quatro anos de governo, no entanto, a cidade continua sem um sistema de transporte eficiente para atender uma massa de usuários que chega a mais de 250 mil passageiros/diários. Algumas regiões, nos finais de semana, nem transporte tem. Na política de transporte público ainda é um fracasso e como se não bastasse, tudo indica que o prefeito retomará o sistema implantado pelo antecessor.
Outro problema crônico apontado pela população era a saúde, com falta de medicamentos e Unidades Básicas fechadas ou com ausência de médicos. A carência de profissionais persiste, assim como a falta de medicamentos.
A tragédia social e econômica são também cenas que afrontam uma cidade bilionária. Na área central, a mendicância que sobrevive debaixo das marquises divide a cena com o quadro falimentar, traduzido por lojas fechadas e até estacionamentos falidos, devido ao esvaziamento. A imagem é de uma pobre cidade rica. Isso demonstra que o orçamento de R$ 3 bi não está circulando pela cidade.
O drama não é por falta de dinheiro nos cofres municipais. Além do orçamento bilionário, o município está repleto de obras financiadas pelo governo do Estado e turbinadas por emendas parlamentares milionárias. Fechou o caixa no ano passado com um superávit de quase R$ 1 bilhão.
Diante de tantas verdades inconvenientes, não há oposição para contraditar os fatos. Com isso, o prefeito segue livre, leve e solto para uma reeleição sem maiores óbices no campo político e ainda fragmentando as resistências no legislativo, onde cooptou os vereadores Abdu Neme (Avante) e Nildo Cardoso (União Brasil), ex-opositores, podendo aumentar ainda mais a dissidência no outro lado do balcão.
Wladimir é um candidato forte muito mais pela ausência de adversários do que por força da máquina. Uma máquina bilionária não é uma adversária invencível, ainda mais quando não ouve a voz rouca das ruas que pede transporte e saúde enquanto ganha “gêneros para outras necessidades”.
Não existe máquina invencível quando se tem oposição eficiente. Um histórico recente: nas duas últimas eleições (2016 e 2020), os candidatos da máquina administrativa foram derrotados, só que vitória em política não cai do céu. É uma construção. Até agora, se existe um projeto de oposição para o pleito de 2024, ainda não se assentou um tijolo e o cronômetro já foi acionado.








