Os administradores da massa falida da GAS Consultoria e Tecnologia, de Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, preparam um pedido de abertura de processo de falência da empresa nos Estados Unidos. Este é, até o momento, o caminho cogitado para buscar os bens supostamente escondidos em território americano por Mirelis Diaz Zerpa, mulher de Glaidson que se encontra foragida desde agosto de 2021.
Ao decidir antecipar a falência, antes mesmo de citar Glaidson, a juíza Maria da Penha Mauro, da 5ª Vara Empresarial do Rio, nomeou como administradores os advogados Sérgio Zveiter e Bruno Rezende. Um dos principais desafios da dupla será assegurar os recursos necessários ao pagamento dos credores da GAS, estimados em 127 mil pessoas. Cadastro organizado pelo Escritório Zveiter contabiliza uma dívida de R$ 9,9 bilhões.
Bruno Rezende explicou que a legislação americana permite a abertura de processo de falência auxiliar nos EUA, desde que os interessados comprovem a existência no país de bens vinculados à empresa ou a seus proprietários. Ocorreu, em 2005, um precedente: a falência do Banco Santos, na qual um juiz americano, na falência auxiliar, pode sequestrar e remeter para o Brasil bens atribuídos ao banqueiro falido, Edemar Cid Ferreira,
Antes de desaparecer, Mirelis requereu o visto de estudante, sob a alegação de que faria um curso da Universidade Atlantics, na Flórida. Seus advogados, após a decretação de sua prisão preventiva, requereram à Justiça Federal do Rio que ela cumprisse a medida nos EUA, pois a cliente estaria sofrendo ameaças de brasileiros lesados.
‘Resultado da inoperância’
O procurador de Justiça Eronides Santos, do Ministério Público do Estado de São Paulo, disse que a estratégia jurídica, em casos do gênero, é a de gerar os efeitos como se fosse falência americana, para buscar ativos. Mas Eronides, que atuou no caso do Banco Santos, alertou que, para a Justiça americana, só fará sentido movimentar a sua máquina se a empresa “tiver de fato alguma coisa lá”.
— A falência da GAS foi resultado da inoperância da empresa em fazer o pagamento para nós clientes. Ainda vou analisar se isso será bom ou não para os milhares de clientes da GAS que sofrem com todo esse imbróglio jurídico. A única certeza que tenho no momento é que a sócia, foragida, Mirelis Diaz, deve ser presa urgentemente — comentou o advogado Jeferson Brandão, que representa clientes lesados.
Dias após a Operação Kriptos, que prendeu Glaidson e alguns dos seus sócios em 2021, os investigadores constataram que a mulher do Faraó conseguiu sacar cerca de R$ 1 bilhão em bitcoins, que estavam acautelados pela corretora de criptos Binance. Logo depois, ela transferiu uma pequena parcela destes recursos para a irmã, Noiralis. Mirelis chegou a gravar algumas lives nas redes sociais para se defender das acusações, mas nunca manifestou o interesse em repatriar o dinheiro e saldar as dívidas com os clientes lesados.
A juíza da falência, além de nomear os administradores da massa, também designou uma empresa de mediação, a MedArb, para desenvolver um plano de plataforma online para a identificação correta dos valores dos credores. A plataforma online para a inscrição, sem custos, e apresente a documentação comprobatória.
Com informações do Jornal O GLOBO.








