Cargos comissionados em Campos devem consumir R$ 70 milhões na folha de pagamento; gasto chega a 5% do orçamento municipal
O prefeito de Campos, Rafael Diniz (PPS), está determinado em reduzir os salários de cargos comissionados em até 30%. Seria um corte considerável em uma folha de pagamento, que segundo o secretário de Controle Interno e Transparência, Felipe Quintanilha, em recente visita à Câmara de Vereadores, já beira a 53%.
Por esta retórica, o município estaria pertinho do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A realidade, no entanto, é mais amarga. Alguns especialistas atentos aos gastos da administração local apostam um reino contra um tostão furado que este teto já ficou para traz. Eles também tocam em um tema proibido na cúpula local: a gordura está nos cargos comissionados.
Nas contas do economista e colunista de VIU ONLINE, Ranulfo Vidigal, “os quase mil agentes públicos (prefeito, vice, vereadores, secretários, superintendentes, diretores e assessores) custarão aos cofres públicos do município em 2017 a bagatela de R$ 70 milhões de reais (algo em torno de 5% do orçamento municipal)”. É isso que o contribuinte vai pagar para alguns funcionários que estão deixando faltar remédios, vacinas, merenda escolar e iluminação nas ruas da cidade.
O corte na fatura dos DAS seria um gol de placa, mas a iniciativa encontra resistências internas. O próprio Quintanilha sofre pesadelos quando se fala em reduzir o seu contracheque. Ou seja, a turma da república do conhaque quer austeridade desde que seja para os outros.
Isso, por exemplo, explica a razão de Quintanilha espalhar aos quatro cantos que o salário de DAS tem pouco ou nenhum impacto na folha de pagamento. Alto lá cara pálida: tem impacto sim e alguns municípios como Quissamã cortaram na carne. A prefeita Fátima Fátima Pacheco reduziu os salários de cargos comissionados em 20%. Em Cruzeiro do Sul, no Acre, o prefeito Ilderli Cordeiro cortou em 30%. Se Rafael foi arguto e determinado vai nesta linha e deixa o recado implícito: os incomodados que se mudem.
O salário de um secretário em Campos é de R$ 10.500, bem acima de todos os municípios que estão no entorno. Na cidade o salário médio é de R$ 2 mil. A título de comparação, um gerente de uma instituição financeira como o Bradesco tem salário de R$ 6 mil. Um gerente de loja, que trabalha de 8h as 22h, ganha também neste patamar. A turma tem carro, telefone, diárias para viagem, tudo por conta da viúva empobrecida. Isso explica porque tantos marinheiros de primeira viagem se lambuzam no melado fazendo extravagâncias e provocando gritarias da plebe guinária no Facebook.
Com dinheiro no bolso e mordomias, a turminha da transparência que tem fascinação por selfies no Instagram e Facebook, quer cortar programas sociais. Por outro lado, nem pensa em passar por sacrifícios. Como reza a liturgia do oportunismo, “farinha pouca meu pirão primeiro”.








