Levantamento da PF conclui que deputado incentivou movimento que deixou estatística de 181 mortos
Da redação
Uma investigação da Polícia Federal apura indícios de envolvimento do grupo político ligado ao deputado Jair Bolsonaro (PSC), na recente crise na área de segurança no Estado do Espírito Santo.
A crise decorrente da paralisação de 10 mil homens da Polícia Militar em todo o Estado provocou uma onda de assaltos, saques em lojas e supermercados, deixando uma estatística de 181 mortos no período de 13 dias.
O governo do Estado identificou uma intensa troca de mensagens entre pessoas ligadas ao grupo de Bolsonaro, que segundo as investigações, exerce grande influência na PM capixaba.
O levantamento realizado com ajuda de mestres e doutores nas áreas de sociologia e comunicação digital coletou informações produzidas por internautas e rastreou as interações entre pessoas e entidades nas redes sociais.
Entre os nomes que constam na rede de apoio ao movimento da PM estão o ex-deputado federal Capitão Assumção e o deputado federal Carlos Manato (SD-ES), aliados de Bolsonaro no Estado.
O levantamento concluiu que as publicações de Jair Bolsonaro atingiram recordes de visualizações nos dez dias de paralisação da PM, o que teria servido de fomento a greve nos quartéis. Apenas um vídeo divulgado pelo deputado no dia 6 de fevereiro, terceiro dia do motim, foi visualizado por dois milhões de internautas.
No vídeo, o deputado do PSC critica o governo Paulo Hartung, defende a polícia e alerta para a possibilidade do movimento da PM capixaba se espalhar para outros Estados. No mesmo post, Bolsonaro faz elogios ao Capitão Assumção, que seria pré-candidato à Câmara Federal em 2018.
O movimento grevista da PM iniciado no dia 4 de fevereiro só foi encerrado no dia 17, depois da intervenção das Forças Armadas. Mas medo ainda persiste. O documento da Polícia Federal fez um alerta às autoridades para a possibilidade de ausência de policiamento nas ruas de Vitória durante o carnaval.
A greve dos militares é considerada ilegal. Mais de mil agentes da corporação capixaba estão sendo processados, correndo o risco de expulsão em caso de condenação.








