A maquiadora Gabriela Braga foi uma das pessoas que sofreram prejuízos com os atos de vandalismo cometidos por bolsonaristas radicais no centro de Brasília, na noite da última segunda-feira (12). O carro dela, onde estava a maior parte do material que usa para trabalhar, foi incendiado.
“Foi um desespero surreal. A gente nunca imagina que vai passar por isso, ainda mais no centro de Brasília”, diz Gabriela.
O veículo estava estacionado no Setor Hoteleiro Norte (SHN), um dos locais por onde passaram os vândalos que não aceitam a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições. Após tentar invadir a sede da Polícia Federal, o grupo ateou fogo em oito veículos, entre carros e ônibus, quebrou vidros, depredou delegacia, furtou botijões de gás de um posto de combustíveis e fechou vias.
Até a publicação desta reportagem do g1, ninguém havia sido preso.
Gabriela conta que tinha feito atendimentos na Asa Sul durante o dia, e que foi jantar em um restaurante do Setor Hoteleiro Norte. Ela diz que viu toda a ação dos vândalos sem poder fazer nada.
“Eles começaram arrancando as placas dos carros. Depois, queimaram um ônibus, botaram fogo em um carro que estava no posto de gasolina ao lado e, então, no meu carro. Eu vi um fogo bem alto no estacionamento, percebi que era meu carro, e eu não podia fazer nada”, diz a maquiadora.
De acordo com Gabriela, os vândalos também jogaram pedras nas portas dos hotéis.
Ajuda para reconstruir a vida
A maquiadora é mãe solo de duas crianças e o carro era uma ferramenta de trabalho. Gabriela mora na região de Sobradinho, mas a maioria das suas clientes é do Plano Piloto, uma distância de cerca de 25 quilômetros.
“O carro era meio meio de transporte para os atendimentos a domicílio, porque tenho que carregar muitos materiais, e também era como eu me locomovia com meus filhos, que não estudam perto de casa. Não sei ainda como vamos fazer agora”, diz a maquiadora.
Amigos de Gabriela organizaram uma vaquinha virtual para ajudar a maquiadora. A Secretaria de Segurança do Distrito Federal se comprometeu em identificar e punir os responsáveis pelo vandalismo.
O Ministério Público, deputados distritais e federais pediram explicações à Polícia Militar e ao governo do DF sobre o quebra-quebra de segunda-feira. No entanto, até a tarde desta quarta-feira (14), ninguém havia sido punido pelos atos de vandalismo.
Atos de vandalismo
Apoiadores radicais do presidente Jair Bolsonaro (PL) deflagraram uma série de atos de vandalismo em Brasília na noite de segunda-feira (12);
De acordo com o Corpo de Bombeiros, 8 veículos, entre carros e ônibus, foram incendiados;
A Polícia Militar usou bombas de efeito moral e balas de borracha, mas ninguém foi detido;
Um shopping teve de ser fechado e nas ruas do Setor Hoteleiro Norte os bombeiros encontraram botijões de gás vazios espalhados;
Os bolsonaristas usaram, pelo menos, nove botijões para bloquear ruas, segundo a PM, os botijões foram furtados de um posto de combustíveis;
Os vidros da 5ª Delegacia de Polícia, que fica na Asa Norte, próximo ao Setor Hoteleiro, foram quebrados e, em frente ao prédio, um ônibus foi queimado;
De acordo com o Secretário de Segurança Pública, Júlio Danilo Souza Ferreira, as imagens dos atos de vandalismo estão sendo analisadas para identificar os responsáveis;
Até a tarde desta quarta-feira (14), ninguém havia sido preso.








