Em tempos de LGBTQIAPN+ (LGBTQIAPN+ é uma sigla que abrange pessoas que são Lésbicas, Gays, Bi, Trans, Queer/Questionando, Intersexo, Assexuais/Arromânticas/Agênero, Pan/Poli, Não-binárias e mais. Lésbicas e pessoas gays são pessoas que sentem atração pelo mesmo gênero, e por pessoas que consideram seus gêneros parecidos.), as considerações sobre erotismo (ou Erótica no geral), pornografia e obscenidade, tão em voga no mundo contemporâneo, não se estendem a um lugar comum, mas, ao contrário, é uma sigla determinante das diversas opções de gênero que vão do erótico ao extravagante , excêntrico e até mesmo, por que não, heteróclito.
Até o início dos anos 2000, a sigla GLS [Gays, Lésbicas e Simpatizantes] nos representava. A população entendia que você podia ser apenas heterossexual ou homossexual. Ninguém entendia outras questões, afirma Ana Claudino, pesquisadora em raça, gênero, sexualidade e comunicação, e criadora do canal Sapatão Amiga. A especialista explica que, por conta da transfobia — que era ainda maior no início do século — transexuais e travestis eram unidos com os homens gays, sofrendo uma enorme quantidade de rótulos transfóbicos.
Portanto, a fim de diminuir essas agressões, a comunidade abandonou o termo GLS e abraçou o LGBT: “O ‘L’ foi para a frente, devido à luta das ativistas lésbicas daquela época. Por muito tempo, foram despriorizadas pela letra ‘G’ dos homens gays”. (https://claudia.abril.com.br/sociedade/lgbtqiapn-entenda-a-sigla/, em 07/11/2022, às 9 h12) Esta é a transcodificação da sigla:
L: Lésbicas (mulheres que se relacionam com mulheres);
G: Gays (homens que se relacionam com homens);
B: Bissexuais (pessoas que se relacionam com ambos os sexos);
T: Transexuais e travestis (quem passou por transição de gênero);
Q: Queer (Pessoas que transitam entre os gêneros, como as drag queens);
I: Interssexo (Pessoa com qualidades e características masculinas e femininas);
A: Assexuais (quem não sente atração sexual por quaisquer pessoas);
P: Pansexuais (quem se se relaciona com quaisquer gêneros ou orientações sexuais) e (N: Não-binário (sem gênero).
De acordo com Ana Claudino em reportagem op. cit., a sigla marca um posicionamento de luta, resistência e orgulho. Ela nos afirma que “Essa não é uma discussão do século XXI. A população LGBTQIAPN+ está neste planeta desde os primórdios da humanidade. É importante salientar que as raízes do movimento vêm dos ancestrais, que batalharam e abriram portas para todos. Porém, grande parte de nossa história foi apagada propositalmente, para mostrar que “não é natural ser homossexual”.
A pesquisadora reitera que, por isso, é extremamente importante continuar lutando e abrindo portas para que os direitos da comunidade — conquistados com muito sangue e suor — sejam preservados. A sigla é uma das ferramentas para sempre nos lembrarmos disso.
Este tema é de extrema relevância no mundo atual, hoje, quando as diferenças precisam se organizar para defender “seu lugar”, na sociedade em que vivemos, sociedade esta ainda tão preconceituosa e ignorante a este respeito – LGBTQIAPN+.
Força na peruca! Ana reforça a importância de refletirmos sobre a pluralidade de experiências na sigla LGBTQIAPN+: “Lésbicas, mulheres trans e bissexuais precisam enfrentar o machismo. E essa estrutura machista “de certa forma, beneficia os homens gays cisgênero. Mesmo que eles enfrentem a homofobia, há um favorecimento”. E ela vai mais além: “No caso das pessoas LGBTQIAPN+ pretas, indígenas e asiáticas, ocorre o racismo. As opressões em algumas identidades vão se somando, e precisamos ter um olhar interseccional diante dessas situações.
A sigla é diversa e plural, e é aí que está a potência de nossa comunidade. Só vamos conseguir aumentar a nossa ligação e organização quando dermos a mesma importância para todas as letras”, declara a pesquisadora e ativista”.
Ela ainda afirma que o primeiro passo em direção a uma boa representatividade é sair de nossas bolhas: “Escute, tenha um olhar carinhoso e acolha as diversidades. Se eu consigo acessos para as lésbicas, e as mulheres trans lésbicas não estão conseguindo os mesmos direitos, algo está muito errado. Para a sigla realmente nos fortalecer, precisamos considerar raça, gênero, classe social, localização geográfica e corpos — incluindo os gordos e PCD’S”.
Ana diz que, no mundo ideal, deveríamos ter mais exemplos de pessoas queer vivendo uma vida normal: “Vemos inúmeras notícias de personalidades heterossexuais casando e tendo filhos. E não temos a mesma cobertura midiática para quem é LGBT. Mas as companhias precisam entender que esses exemplos são fundamentais para a manutenção de nossa saúde mental. Como vamos criar autoconfiança se o tempo inteiro ouvimos que somos anormais?”.
E la nave va. LGBTQIAPN+!








