O Evento acontecerá entre os dias 2 e 9 de novembro no Guarus Plaza Shopping, em tenda construída anexa ao prédio do shopping. Com tradição bastante relevante nos calendários de gestões culturais anteriores, esta edição promete ser um grande evento, com a participação de várias entidades culturais, vários autores, inclusive bons autores campistas e a participação das duas Academias Campistas, a Academia Campista de Letras e a Academia Pedralva de Letras, abrilhantando ainda mais o evento.
Estarei no evento, inicialmente, na Academia Pedralva de Letras, e também na Academia Campista de Letras, lançando dois livros editados em 2021, pela Editora CRV, o que para mim é um grande prazer. Dia e hora ainda a ser marcados, mas estarei por lá prestigiando o evento.
Campeões do mundo
Teatralidade e dramaturgia nos anos da ditadura pós-64 (CRV) é um estudo crítico e histórico-social que aborda essencialmente os seguintes assuntos e temas: a análise crítica dos textos dramáticos O Verdugo, de Hilda Hilst (1969), comparativamente a Ponto de Partida, de Gianfrancesco Guarnieri, usando como aporte teórico os estudos de Bertold Brecht e sua influência, sua recepção reprodutiva nos autores da época.
Na peça Ponto de Partida (1976), Dias Gomes, adiantando conclusões fururas, pesquisas teórico-práticas e histórico-críticas levam sua obra a ser de uma representatividade única que dá ao seu texto dramatúrgico uma condição paradigmática do teatro brasileiro contemporâneo, constituindo-se num parâmetro (e quem sabe único) que nos permite diferenciar as principais linhas de força de um conjunto de obras durante sua trajetória histórica de produção e recepção.
Considerando o momento histórico dos dias atuais, dois são os motivos principais que conferem à dramaturgia de Dias Gomes esse caráter paradigmático: a continuidade na ordem temporal e a natureza integrativa de que se reveste sua obra, tanto no plano temático e conteudístico como no nível da expressão dramática da obra em questão, essa teoria é aplicada às obras dramatúrgicas de Guarnieri (Ponto de Partida), de Hilda Hilst (O Verdugo) e Dias Gomes (O Santo Inquérito, A Invasão, O Túnel, Amor em Campo Minado e Campeões do Mundo). No que diz respeito ao primeiro desses aspectos, convém lembrar que Dias Gomes inaugura, juntamente com Nelson Rodrigues, o período considerado como “moderno” do teatro nacional, nos inícios da década de 1940, do século XX.
Pós-golpe de 1964, a situação fica tensa para alguns autores e para a cultura brasileira, principalmente depois do decreto AI-5, em 1968. Há muita censura, e a censura era burra. Censurava uns e liberava outros. Toda esta situação de regime autoritário é colocado como uma possível imobilização por parte de autores diversos, como os que são estudados em Campeões do Mundo (2021), que introduz as análises com um rico painel das “Memórias da Ditadura e do Teatro:
“Incrível! Lembrando-me hoje do que vivi, naquela época pós-64, soa paradoxal: “apesar do conservadorismo e da violência do regime, a produção cultural brasileira durante a ditadura militar e após anistia vem sendo lembrada sobretudo pelo engajamento político à esquerda, pelo desejo de mudança e pelas críticas ao governo.”








