Uma enorme explosão destruiu parte da ponte de Kerch da Rússia à Crimeia, um símbolo ødiadø da ocupação do Kremlin no sul da península ucraniana, um dos projetos de prestígio de Vladimir Putin e um elo logístico vital para os militares russos.
Uma seção da ponte com destino à Ucrânia desabou, e um incêndio feroz envolveu um trem na conexão ferroviária paralela, criando uma vasta coluna de fumaça preta. A estrada paralela para a Rússia ainda parecia transitável nas imagens do local da explosão.
O ataque, que ocorreu no dia seguinte ao aniversário de 70 anos de Putin, é um grande golpe para o prestígio militar russo e suas cadeias de suprimentos para a invasão e a defesa da Crimeia.
Moscou alegou que a ponte estava protegida por camadas impenetráveis de defesas, e já tinha ameaçado uma dura retaliação se ela fosse alvejada.
A Ucrânia não reivindicou diretamente a responsabilidade pelo ataque à ponte, mas autoridades de alto escalão comemoraram publicamente e na manhã deste sábado a única questão real sobre o ataque não era quem o ordenou, mas como foi realizado.
A explosão, que testemunhas disseram ter sido ouvida a quilômetros de distância, aconteceu por volta das 6h deste sábado, enquanto um trem atravessava a ponte.
Imagens dos danos começaram a surgir logo depois. A Rússia criou um comitê para investigar o ataque e em poucas horas disse que três pessoas haviam sido mørtas e culpou um caminhão-bomba pela explosão. Acrescentou que eles identificaram o motorista do caminhão explodido como residente da região de Kuban, no sul da Rússia.
Suprimento dificultado
A ponte, construída sob as ordens de Putin e inaugurada em 2018, era um importante meio de transporte para equipamentos militares para soldados russos que lutam na Ucrânia, especialmente no sul, além de transportar tropas para lá.
Única ligação entre a Rússia e a Crimeia, a ponte tem papel vital para o suprimento russo, explica o correspondente da BBC na Ucrânia, Paul Adams. Sem essa ligação, Moscou terá dificuldade em enviar tropas e equipamentos para repelir a ofensiva ucraniana no norte de Kherson – uma das áreas ucranianas que a Rússia anexou.
Lawrence Freedman, professor aposentado de estudos da guerra da Universidade King’s College London, disse à BBC que as tropas russas enfrentarão grandes desafios enquanto a ponte estiver desabilitada.
“Os ucranianos não alvejaram apenas território e indivíduos (russos), mas atacaram a logística. (…) A ponte Kerch é um exemplo de que eles (russos) têm um problema de reabastecimento. Mesmo tendo um número expressivo de soldados ali, bem armados e pontos para a luta, eles não conseguirão seguir em frente se não receberem suprimentos”, declarou Freedman à BBC Radio 4.
Hugo Bachega, correspondente da BBC na Ucrânia, explica que Kiev tem vivido um ímpeto importante na guerra, reconquistando quantidades significativas de território em sua contra-ofensiva e forçando tropas russas a abandonar posições que sustentavam havia meses.
A ponte Kerch, explica ele, é particularmente odiada pelos ucranianos, porque simboliza a ocupação em curso há oito anos.
Os correspondentes da BBC na Ucrânia explicam que o episódio deste sábado elevou a moral ucraniana. Vídeos da ponte em chamas estão viralizando nas redes sociais no país, e o segundo maior banco da Ucrânia, Monobank, emitiu um cartão de débito ilustrado com a ponte colapsada.







