quinta-feira, 22 outubro, 2026
Portal Viu
  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Portal Viu
  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Portal Viu
Nada encontrado
Ver todos os resultados

Filósofa alerta para “embranquecimento” do futebol brasileiro

Sueli Carneiro acredita qye jovens negros vêm sendo substituídos no futebol por meninos brancos de classe média

redacao Por redacao
05/06/2022 - 20:14
em Esporte
A A
Jogadores brasileiros que disputaram a Copa de 2018 e membros da comissão técnica. (Foto: CBF)

Jogadores brasileiros que disputaram a Copa de 2018 e membros da comissão técnica. (Foto: CBF)

Compartilhar:

Pelé, Garrincha, Leônidas da Silva, Romário, Neymar… é longa a lista de atletas negros que fizeram do Brasil o país mais vitorioso no futebol mundial.

Porém, para a filósofa Sueli Carneiro, os tempos são outros.

“Você pega o campeonato francês: é uma profusão de gente preta como você não vê mais aqui no Brasil, que é o tal do futebol pentacampeão, e que foi pentacampeão graças aos jogadores negros”, disse a filósofa no podcast Mano a Mano, apresentado pelo rapper Mano Brown, em 26 de maio.

Segundo Carneiro, que é um dos principais nomes do movimento negro brasileiro e raramente concede entrevistas, jovens negros vêm sendo substituídos no futebol por meninos brancos de classe média.

Leia Também

Palmeiras vence e assume liderança provisória do Brasileirão; Flamengo pode retomar a ponta

Experience X reúne competições de Cross Training e corrida híbrida em Macaé

Mano Brown perguntou então à filósofa se o futebol teria deixado de ser “o sonho de consumo da molecada negra”, ao que Carneiro rebateu: “eles não deixaram de desejar futebol, eles têm sido gradativamente excluídos”.

A fala de Carneiro, doutora em Filosofia pela USP e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, ecoou nas redes sociais.

Mas o que pessoas do universo futebolístico pensam sobre a opinião? O futebol brasileiro está embranquecendo?

A BBC fez a pergunta a quatro pessoas que trabalham com futebol dentro ou fora dos campos.

A resposta unânime foi que sim, os negros estão perdendo espaço no esporte símbolo nacional.

As divergências se deram quanto ao grau do fenômeno: enquanto alguns avaliam que ele se restringe a estádios e categorias de base, um ex-jogador já vê efeitos desse processo na seleção brasileira atual (leia mais abaixo).

Seleção brasileira que venceu a Copa de 1970, no México, teve Pelé como destaque. (Foto: Getty Images)

Esporte de brancos e imigrantes

Quando chegou ao Brasil, em 1895, o futebol era um esporte praticado principalmente por brancos. Na primeira metade do século 20, vários jogadores da seleção eram filhos de imigrantes europeus.

Com o tempo, no entanto, o futebol e a seleção se tornaram multirraciais.

Desde a Copa de 1950, em maior ou menor grau, atletas negros vestiram a camisa brasileira em todos os Mundiais. Alguns, como Pelé, Garrincha e Romário, foram os destaques de equipes que se sagraram campeãs.

É possível, porém, que negros percam o protagonismo no futebol brasileiro no futuro, segundo comentaristas entrevistados pela BBC News Brasil.

Eles disseram que a mudança na forma com que meninos são selecionados pelos clubes têm deixado as equipes juvenis mais elitizadas e, consequentemente, mais brancas.

No passado, muitos jovens jogadores vinham de campos nas periferias das cidades, onde eram identificados por olheiros a serviço dos clubes. Foi assim que muitos meninos negros de famílias pobres conseguiram chegar a grandes times e se destacar no esporte.

Hoje, no entanto, os entrevistados afirmam que cada vez mais clubes têm buscado atletas em escolas de futebol particulares, que cobram mensalidades dos alunos. A mudança, segundo os analistas, tem favorecido meninos de classe média, cujas famílias têm condições de pagar as escolas e são majoritariamente brancas.

Jogadores da seleção brasileira em 1914, ano em que equipe realizou as primeiras partidas oficiais (Foto: CBF)

Alimentação ruim

O ex-jogador Edinaldo Batista Libânio, o Grafite, cita à BBC outro fator que estaria excluindo do esporte muitos meninos negros pobres: a má qualidade da alimentação.

Hoje comentarista de futebol, Grafite diz que jovens que não comem direito na infância chegam em piores condições físicas às “peneiras”, os processos de seleção dos clubes. E hoje, segundo ele, as equipes consideram a forma física mais importante do que a habilidade ao escolher jovens atletas.

O ex-jogador diz ter notado um sinal “gritante” do desequilíbrio na formação física dos atletas na última Copa São Paulo de Futebol Júnior, principal competição nacional para jogadores com até 20 anos de idade.

Segundo ele, o desempenho físico de equipes do Sul e Sudeste no torneio foi muito superior ao dos times do Nordeste, cujos atletas tinham origens mais pobres.

Grafite se tornou um símbolo do combate ao racismo no futebol em 2005, quando acusou o zagueiro argentino Leandro Desábato de chamá-lo de “negrito de mierda” durante uma partida em São Paulo.

O zagueiro, que negou a ofensa, chegou a ficar dois dias preso no Brasil antes de voltar à Argentina.

Torcedores do Flamengo no Maracanã; para analistas, reforma do estádio para a Copa de 2014 elitizou o público que frequenta os jogos. (Getty Images)

Paulo Cesar Vasconcellos também acha que a elitização nas categorias de base ainda não produz efeitos visíveis no futebol brasileiro profissional.

“Tanto é que o maior nome do futebol no mundo no momento é um jovem negro de família humilde chamado Vinicius Jr.”, afirma o comentarista, referindo-se ao jogador brasileiro que se tornou um dos destaques do Real Madrid, da Espanha, e deverá estar na seleção brasileira na próxima Copa.

Vasconcellos avalia ainda que “por ora não há um processo de embranquecimento da seleção”. “A maioria dos jogadores ainda vem de classes mais baixas e tem na profissão de jogador a salvação da família”.

A possibilidade de ascender socialmente pelo futebol, aliás, é um elemento que distingue o futebol masculino do futebol feminino no quesito racial, diz Renata Mendonça, comentarista de futebol e cofundadora do Dibradoras, veículo que enfoca as mulheres do esporte.

Ex-jornalista da BBC, Mendonça diz que, como o futebol feminino nunca ofereceu boas perspectivas de carreira no Brasil, muitas atletas profissionais dependeram do apoio financeiro da família para permanecer no esporte.

E como negros são maioria entre os mais pobres, diz a comentarista, “é possível que muitas meninas negras tenham tido que abandonar o esporte por não terem condições de seguir bancando seu sonho”.

Pele mais clara

Seleção da França, citada pela filósofa Sueli Carneiro por abrigar grande número de atletas negros. (Foto: FIFA)

Já para o ex-jogador Grafite, a elitização das categorias de base já produz efeitos no futebol profissional e na própria seleção brasileira.

Presente na Copa de 2010, ele afirma que, “considerando o plantel geral, o número de negros vem diminuindo” na seleção, e “jogadores de pele clara vêm sendo predominantes”.

O ex-jogador diz ainda que o tom de pele dos jogadores negros da seleção tem clareado ao longo das última décadas, algo que ele atribui à “miscigenação” da população brasileira no período.

Na seleção que venceu a Copa de 1970, por exemplo, havia vários negros retintos (de pele mais escura) – caso de Pelé, Zé Maria, Joel e Everaldo.

Hoje, negros com esse tom de pele se tornaram mais raros na seleção principal e na olímpica. Esta última, por abrigar em sua maioria jogadores com até 23 anos de idade, tende a indicar qual será a cara da seleção principal no futuro.

Pretos retintos

Para o jornalista esportivo Marcos Luca Valentim, um dos membros do Ubuntu Esporte Clube, podcast que busca trazer uma “visão afrocentrada” do esporte, quanto mais escuro é o tom da pele de uma pessoa no Brasil, “mais chances ela tem de sofrer racismo e de ter oportunidades negadas”.

O fenômeno é conhecido entre pesquisadores e ativistas do movimento negro como “colorismo”.

“Pessoas pretas retintas têm menos possibilidade de entrar nas categorias de base não porque os clubes não as queiram, mas porque, por este ser um problema estrutural, terão menos acesso ao transporte e a outras condições para chegar às peneiras”, diz Valentim.

Mesmo que consigam entrar no esporte, essas pessoas tendem a ser mais discriminadas ao longo da carreira e receber apelidos pejorativos, segundo o jornalista.

Mas não só pretos retintos sofrem tratamento discriminatório no futebol brasileiro.

Já em 1964, o jornalista Mário Filho escreveu em seu clássico O Negro no Futebol Brasileiro que as duras críticas que três jogadores negros (Barbosa, Juvenal e Bigode) receberam após a derrota do Brasil na Copa de 1950 eram um sinal do racismo entre os brasileiros.

Marcelo Carvalho, do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, diz que é comum se atribuir o fracasso de um jogador negro “à questão da noite, da malandragem, das mulheres”. Já a derrocada de jogadores brancos raramente é associada a essas causas, diz Carvalho.

E num momento em que há cada vez mais jogadores estrangeiros nos clubes brasileiros, Carvalho questiona por que há tão poucos atletas africanos no Brasil, ainda que eles tenham grande espaço nos clubes europeus. “A África manda jogadores para o mundo inteiro, menos para o Brasil”, diz Carvalho.

Manifestações contra o racismo

Jogador do Liverpool, o senegalês Sadio Mané (primeiro à esq.) é um dos vários atletas africanos que têm se destacado na Premier League, na Inglaterra. (Foto: Getty Images)

Para Marcos Luca Valentim, do Ubuntu Esporte Clube, uma esfera do futebol brasileiro em que negros jamais entraram é a dos dirigentes de clubes e federações. Essa falta de negros no topo, segundo ele, tende a desencorajar atletas negros a protestar contra o racismo.

“Clubes que se comportem como empresas podem achar problemático ter atletas com atitudes contestatórias”, diz o apresentador.

“Os negros proporcionam o show, mas quem gere o show são os brancos”, afirma Valentim.

Paulo Cesar Vasconcellos também critica a ausência de negros na estrutura de comando do futebol brasileiro.

“Temos vários técnicos estrangeiros no futebol brasileiro, mas quantos técnicos negros temos na série A? Só um. E dirigentes? E médicos negros entrando em campo?”, questiona.

“A estrutura é toda branca, e aos negros sempre restaram os postos de massagista, cozinheiro, faxineiro, roupeiro”, afirma o comentarista.

“O futebol é um território no qual o negro é só pé de obra, nada mais.”

As informações são da BBC.

 

Tags: FutebolRacismo
Notícia anterior

Anitta preocupa fãs após desabafo nas redes sociais

Próxima notícia

Lula e a esposa, Janja, testam positivo para Covid e ficarão em isolamento

redacao

redacao

Próxima notícia
ex presidente lula e esposa janja testam positivo para covid

Lula e a esposa, Janja, testam positivo para Covid e ficarão em isolamento

PartyGate: primeiro ministro Boris Johnson sofre processo

Boris Johnson enfrenta processo que pode tirá-lo do cargo de primeiro-ministro

COLUNISTAS

Entre palcos e palanques: o meio artístico ganha protagonismo na reta final da eleição

Fabrício Cabral
21/10/2026 05:09

Temperança marca a transição para outubro com mensagem de equilíbrio e renovação

Carlos Fracho
28/09/2026 05:56

Na mira do MPRJ: Ala inaugurada em 2024 no Hospital Manoel Carola nunca funcionou 

Douglas Fernandes
25/09/2026 04:20

Mentira e eleição: quando convencer vale mais que dizer a verdade

João Vicente
15/09/2026 08:44

Frederico Paes e o governo que tenta trocar espetáculo por entrega em Campos

Roberto Barbosa
07/07/2026 11:23

STF e autismo: quando a condição precisa ser visível para ser reconhecida

Karoline Barbosa
28/05/2026 09:10

Thiago Rangel mantém influência na Alerj mesmo após afastamento, aponta blog

Mathilde no Poder
14/05/2026 10:05

A história de Jacyr Barbetto em Campos dos Goytacazes-RJ (Parte II)

Leonardo Santos
01/05/2026 11:30

EDITORIAS

Brasil Canal VIU Cidade Concurso Cultura D+News Economia Esporte Fonte Exclusiva GEEK Mundo Opinião Política Saúde Tecnologia
Portal Viu
Universidade Candido MendesO

 

Notícias das cidades do Estado do Rio de Janeiro, com destaque para Macaé e Campos dos Goytacazes, além dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.

Conheça o Portal VIU!

E-mail: [email protected]

  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026

Nada encontrado
Ver todos os resultados
  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
Brasil inteiroVer por estado
Carregando dados oficiais do TSE…
Fonte: TSEAcompanhar apuração completa →

Add New Playlist