Em reação às declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, contra o presidente russo, Vladimir Putin, o Kremlin elevou o tom nos últimos dias enquanto as tropas russas continuam com a invasão da Ucrânia desde 24 de fevereiro.
Nesta quinta-feira (17), Biden voltou a falar sobre Putin e fez duras declarações contra o líder russo. Durante um almoço no Capitólio dos EUA, Biden chamou Putin de “ditador assassino, bandido completo, que está travando uma guerra imoral contra o povo da Ucrânia”.
No dia anterior, o presidente americano já havia chamado o líder da Rússia de “criminoso de guerra”. Para o Kremlin, a fala de Biden é uma observação “imperdoável” de um líder de um país que matou civis durante conflitos em diversas partes do mundo.
“Nosso presidente é uma figura internacional muito sábia, presciente, culta e chefe da Federação Russa, nosso chefe de Estado”, disse o porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov.
Peskov ainda classificou as falas de Biden como “absolutamente inadmissíveis e inaceitáveis”. “O principal é que o chefe de um estado que por muitos anos bombardeou pessoas em todo o mundo (…) o presidente de tal país não tem o direito de fazer tais declarações”, disse Peskov.
Nove corredores humanitários serão abertos na Ucrânia
Enquanto os ataques da Rússia prosseguem na Ucrânia, nove novas rotas para a retirada de civis devem ser abertas nesta quinta-feira (17), incluindo a cidade de Mariupol, no sudeste, uma das mais devastadas pela guerra. Os corredores são projetados para permitir o transporte seguro de ajuda humanitária para as cidades e a saída segura para os moradores.
Nos últimos dias, um número crescente de veículos particulares conseguiu sair de Mariupol, embora não exista um corredor formal. Um comboio humanitário destinado à cidade está preso em Berdiansk, cerca de 80 quilômetros a oeste, há dias. Iryna Vereshchuk, a ministra ucraniana responsável, disse que outros corredores foram acordados na região de Kiev, incluindo de Borodianka a Zhytomyr e da vila de Shevchenkove a Brovary.
Também nesta quinta-feira, o Kremlin informou que as negociações entre russos e ucranianos continuam em busca de um possível acordo de paz, embora sem nenhum avanço. O Kremlin disse ainda que “muitas pessoas na Rússia estão se mostrando traidores”, e que estavam se demitindo de seus empregos para deixar o país.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, fez os comentários um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, dizer que o presidente Vladimir Putin era um criminoso de guerra. O Kremlin afirmou que os americanos não tinham o direito “de dar lições à Rússia após seu envolvimento em tantos conflitos”.
Destaques das últimas 24 horas
Em telefonema com Putin, Erdogan diz que Turquia pode sediar encontro com Zelensky
Falha interrompe ferrovias na Polônia, importante rota para refugiados da Ucrânia
Avanço das tropas russas na Ucrânia está parado, afirmam autoridades britânicas
Zelensky pede ao chanceler alemão, Olaf Scholz, que derrube um muro “entre a paz e o conflito na Europa”
Nove novos corredores humanitários devem ser abertos nesta quinta-feira, incluindo a cidade de Mariupol
Kremlin diz que negociações entre russo e ucranianos prosseguem nesta quinta
Kremlin diz que “muitas pessoas na Rússia estão se mostrando traidores”
China “nunca atacará a Ucrânia”, diz enviado de Pequim em Lviv
Sites do governo da Rússia sofrem ataques cibernéticos “sem precendentes”
Secretário dos EUA concorda que Rússia cometeu crimes de guerra
Também nesta quinta, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, afirmou em pronunciamento nesta quinta-feira (17) que concorda com as declarações de Joe Biden de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, é um “criminoso de guerra”. Blinken justificou a afirmação ao dizer que as forças russas continuam a atacar civis na Ucrânia.
O secretário avaliou que “atirar intencionalmente em civis é um crime de guerra” e confirmou que especialistas americanos estão documentando e avaliando possíveis crimes de guerra na invasão russa à Ucrânia. “Vamos garantir que nossas descobertas ajudem os esforços internacionais para investigar crimes de guerra e responsabilizar os responsáveis”, disse ele.
Blinken também confirmou que um cidadão americano foi morto na Ucrânia em meio à invasão russa. “Posso confirmar que um cidadão americano foi morto. Não tenho mais detalhes para vocês além disso”, pontuou.
Câmara dos EUA aprova projeto que trava comércio com a Rússia
A Câmara dos EUA aprovou hoje, por 424 a 8, um projeto de lei que suspende as relações comerciais normais com a Rússia e a Belarus – o mais recente esforço dos legisladores dos EUA para infligir dor econômica à Rússia por sua invasão brutal e não precedente à Ucrânia.
Os republicanos Chip Roy do Texas, Tom Massie do Kentucky, Lauren Boebert do Colorado, Andy Biggs do Arizona, Matt Gaetz da Flórida, Dan Bishop da Carolina do Norte, Marjorie Taylor Greene da Geórgia e Glenn Grothman do Wisconsin votaram contra o projeto.
O projeto segue agora para o Senado, onde deve ser aprovado na próxima semana.
Discurso no Parlamento Alemão
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em discurso hoje ao parlamento da Alemanha, invocou a queda do Muro de Berlim para pedir ao chanceler alemão, Olaf Scholz, que derrube um muro entre a paz e o conflito na Europa.
“É o que eu digo a você, querido chanceler Scholz: destrua este muro”
Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia
Zelensky descreveu um novo muro “no meio da Europa entre a liberdade e a falta de liberdade”, que ele disse que a Alemanha ajudou a construir, isolando a Ucrânia com seus laços comerciais com a Rússia e seu apoio anterior ao gasoduto Nord Stream 2.
Erdogan diz que Turquia pode sediar encontro com Zelensky
O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, ofereceu o país como local para um encontro entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para negociações, de acordo com seu gabinete.
O fato aconteceu durante um telefonema entre Erdogan e Putin nesta quinta-feira (17).
Segundo um comunicado, o chefe de Estado turco disse ao russo que pode ser necessário um encontro entre os dois presidentes para se chegar a um acordo sobre determinadas questões, acrescentando que um cessar-fogo duradouro pode abrir caminho para uma solução de longo prazo.
Casa Branca diz não haver evidências de diminuição de ataques russos
A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse, nesta quinta-feira (17), que não há sinais de que a Rússia esteja “desescalando” o conflito na Ucrânia, mas que a invasão não está indo conforme o esperando pelas autoridades russas.
Além disso, Psaki destacou “grande preocupação” de que a China possa fornecer à Rússia equipamentos militares para ajudar na guerra. A porta-voz adicionou que a omissão da China em denunciar as ações da Rússia “diz muito”.
Ela também informou que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, será franco e direto em seu telefonema com o presidente chinês, Xi Jinping.
Sites do governo russo enfrentam ataques cibernéticos “sem precendentes”
Segundo a agência de notícias russa TASS, o governo russo está enfrentando uma forte onda de ataques cibernéticos em seus sites. O Ministério de Desenvolvimento Digirtal do país já está mobilizando esforços para filtrar o tráfego da internet estrangeira para evitar os danos dos ataques “sem precedentes”.
Entre os alvos, estão portais de entdades governamentais da Rússia, empresas estatais, sites do Kremlin, da principal transportadora Aeroflot AFLT.MM e o principal credor Sberbank SBER.MM. Os sites estão passando por interrupções de sinal ou problemas de acesso temporário nas últimas semanas.
Desde o início da guerra, diversas plataformas, como a Meta (dona do Facebook) e o Twitter, aplicaram sanções a agências de notícias estatais russas. A Google, por exemplo, não permitirá mais que os meios de comunicação estatais russos exibam anúncios, decisão também tomada pelo YouTube.
Em resposta a essas medidas, a Rússia bloqueou o Twitter, o Facebook e o Instagram no país.
As informações são da CNN.








