Governos jogam a conta para os servidores, mas esquecem de adotar medidas contra os que provocaram a falência do sistema
As coisas estão ficando esquisitas. Os estados reconhecem que há rombos orçamentários em seus respectivos regimes de previdência. Os déficits, segundo esses governadores, serão insustentáveis em curtíssimo prazo, caso não sejam adotadas medidas amargas que irão, sem sombra de dúvida, afetar os servidores.
Na imagem acima: Plenário da Câmara dos Deputados. Parlamentares terão que votar reforma da Previdência, que poderá inserir mudanças no sistema que vigora nos regimes dos Estados | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fala-se em aumentar o tempo de contribuição, elevar as alíquotas e acabar com os regimes de aposentadorias especiais para os militares e professores. Discute-se neste ambiente os efeitos da falência nos Fundos de Previdência, mas até o presente momento, os governos não se debruçam sobre a causa.
Os servidores nunca deixaram de contribuir para o sistema, já que o desconto é na fonte, na folha de pagamento. Ao longo dos últimos anos, a maior parte desses fundos de previdência ostentou saúde financeira. Tinham bilhões em caixa. Entraram em crise por conta de investimentos temerários por parte dos ordenadores de despesa, como foi o caso do Estado do Rio de Janeiro, que tomou empréstimo no exterior lastreado em recursos do Rioprevidência. O dinheiro que seria para pagar aposentadorias e pensões hoje alimentam os fundos abutres que emprestaram dinheiro ao Estado.
Sem autoridade para dialogar com os servidores e com as Assembleias Legislativas, os governadores tentam enfiar uma reforma previdenciária nos Estados de cima para baixo, englobando a questão dos Estados na reforma previdenciária que o governo Temer vai enviar ao Congresso.
Mas fica a pergunta que não cala: se os servidores pagarão a conta pela falência do sistema, quem vai cobrar responsabilidade dos que provocaram esta sangria financeira? Esta é a parte mais importante do debate que está ficando à margem e dá pinta de que será varrida para debaixo do tapete. Neste país, as coisas além de esquisitas, são cínicas.








