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Aplicação de ácido hialurônico na vagina para dar mais prazer ao homem ganha adeptas e polêmicas

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia classificou a realização do procedimento de "antiético", "imprudente" e "enganoso"

redacao Por redacao
03/10/2021 - 11:09
em Política
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O ácido hialurônico, uma substância utilizada para fins estéticos e dermatológicos, está sendo utilizado para alterar o formato do canal vaginal com o propósito de aumentar o prazer sexual.

Preenchimento do ponto h: Febrasgo diz que técnica experimental é enganosa (Imagem: Divulgação)

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O ácido hialurônico, uma substância utilizada para fins estéticos e dermatológicos, está sendo utilizado para alterar o formato do canal vaginal com o propósito de aumentar o prazer sexual. Mas apesar de ser feito no corpo da mulher, o suposto beneficiado é o parceiro.

Chamado de “preenchimento do ponto H”, a técnica é experimental e não é indicada por ao menos uma entidade médica.

Quem realiza o preenchimento do ponto H busca criar dentro do canal vaginal uma saliência, uma região de maior contato com o pênis do parceiro. De acordo com especialistas, não há qualquer recomendação que justifique o uso da substância e os seus efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos e podem ser perigosos.

Abaixo, veja o posicionamento da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e, na sequência, perguntas e respostas sobre o tema:

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‘Antiético, imprudente e enganoso’

Lucia Alves da Silva Lara, presidente da Comissão Nacional Especializada em Sexologia da Febrasgo explicou porque considera o procedimento inadequado.

“É ANTIÉTICO porque não tem comprovação científica”;

“IMPRUDENTE porque não tem dados de segurança não sendo possível prever os efeitos a longo prazo e suas consequências;

“ENGANOSO porque promove expectativas com base em resultados falsos derivados do achismo”;

Ela diz ainda que quem realiza o procedimento corre o risco de mutilar a parede vaginal das mulheres para criar o que chamou de “pontos anedóticos”. Ainda assim, não é difícil encontrar ginecologistas e dermatologistas que divulgam o procedimento nas redes sociais.

Em nota, a Febrasgo afirmou que “não recomenda que qualquer procedimento seja realizado na região vulvar ou vaginal com o propósito de aumentar ou estimular o prazer feminino. (…) Da mesma forma, não há dados que justifiquem a introdução de ácido hialurônico na mucosa vaginal para “criação” destes pontos.”

Preenchimento do ponto h: Febrasgo diz que técnica experimental é enganosa — Foto: Wagner Magalhães/Arte g1

1. O que é o preenchimento no ponto H?

É a aplicação de ácido hialurônico dentro da cavidade vaginal, mais especificamente na parede posterior do canal vaginal. Ou seja, o preenchimento é feito na parte interna, em uma porção oposta ao local onde é popularmente indicado como o do ponto G.

2. Por que o procedimento é feito?

A aplicação de ácido hialurônico cria um relevo na parede vaginal, fazendo com que haja um local onde o canal ganha um relevo e se torna mais estreito, aumentando o atrito com o pênis. Desse modo, o procedimento, supostamente, aumentaria o prazer sexual dos homens. Para as mulheres há pouca ou nenhuma alteração em relação ao prazer.

O ácido hialurônico é produzido naturalmente pelo organismo, e é também processado e utilizado em intervenções dermatológicas: tem uma função na pele de fazer sustentação, preenchimento, hidratação. Por isso, disfarça rugas, como o bigode chinês e também olheiras. Ele não tem rejeição porque é um componente da pele – considerado um hidratante natural.

3. Ponto G e ponto H são a mesma coisa?

Não. O ponto H é uma região criada artificialmente para aumentar o prazer masculino, tendo pouca ou nenhuma relação com o prazer feminino.

O ponto G, por sua vez, é conhecido popularmente por ser o local de máximo prazer feminino. Os primeiros relatos sobre essa região datam de 1940, mas o maior volume é de 1980.

Não há unanimidade do meio científico sobre a sua existência ou não. Contudo, pode ser que as pessoas que apontam a existência do ponto G estejam falando do clitóris, que compreende uma região muito maior do que a visível.

“O ponto G está, supostamente, localizado mais ou menos onde fica o clitóris (na parte interna do canal). Ao contrário do que se pensa, o clitóris é bem grande, não é só o pontinho que vemos externamente”, explica a médica ginecologista Gabriela Pravatta Rezende.

4. Em quais casos o procedimento é indicado?

Não há indicação do procedimento, uma vez que não traz nenhum benefício à vida ou saúde da mulher. Pelo contrário, há muitas lacunas sem repostas e incertezas quanto ao risco que essa substância poderá trazer ao corpo da mulher ao longo prazo.

“É uma coisa experimental e ninguém sabe quais os efeitos a longo prazo. Até criar esse relevo, às vezes, a paciente vai precisar de mais de uma aplicação. Não sabemos se isso pode trazer algum malefício para a mulher, se isso pode estimular lesões na vulva feminina ou aumentar as chances de infecções, corrimento e deformidades”, explica Rezende.

Além disso, a vagina é uma cavidade composta, majoritariamente, por uma mucosa e é bastante vascularizada, ou seja, irrigada com sangue. Logo, além das incertezas já citadas, o uso da substância pode acarretar outros problemas à saúde da mulher.

“Como qualquer substância que seja aplicada na região, pode gerar hematomas, possíveis infecções e sangramentos”, diz Rezende.

Para a especialista, procedimentos, especialmente no corpo da mulher, que visem exclusivamente o prazer masculino são reflexos de uma sociedade machista, onde o prazer feminino é colocado em segundo plano.

“Esses procedimentos, que visam principalmente a sexualidade masculina, acabam sendo, de certa maneira, um retrocesso (…) Temos que ver o contexto como um todo, porque isso pode estar relacionado com a pressão estética criada pela indústria pornográfica, a própria cultura e o machismo estrutural”, diz a ginecologista.

5. Então, como potencializar o prazer sexual da mulher e do homem?

Antes de responder a essa pergunta é preciso compreender que o prazer não está apenas relacionado ao órgão sexual, mas também a questões emocionais e psicológicas.

“A sexualidade é algo muito mais complexo do que parece. Prazer tem muito mais a ver com a saúde e intimidade do relacionamento, alimentação, bem-estar, sono, a mulher se sentir bem com ela mesma do que com um local específico da vagina”, explica Rezende.

“Para ter prazer a vagina não precisa ser apertada ou flácida. Isso não é uma regra, nem para as mulheres e nem para os homens”, esclarece a ginecologista.

Tags: #Cirurgia Plástica#Procedimento Estético
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