Na briga entre o secretário de governo do Estado do Rio, Rodrigo Bacellar (PL) e o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD), a 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem lado, cargo e partido.
A entidade é Wladimir desde Garotinho e os laços se unem por emprego em cargo comissionado na Prefeitura.
A prova cabal desta relação e o consequente aparelhamento partidário da entidade está em nota publicada nas redes sociais, em nome da OAB Mulher, defendendo a primeira-dama da cidade, Tassiana Oliveira, contra uma carta publicada por Bacellar em resposta a um ataque de Wladimir.
A nota é assinada pela presidente da OAB Mulher, Kelly Viter, que está nomeada no Procon Campos, com salário de R$ 5.400, segundo publicação do Diário Oficial do Município.
Mas não é só a advogada que está mobilizada. Outras mulheres nomeadas em cargos comissionados da Prefeitura, além de RPAs, também estão fazendo publicações nas redes sociais em defesa da primeira-dama.
A campanha tem até tema: Mexeu com uma, mexeu com todas!
Disparo de Wladimir
A briga entre Bacellar e Wladimir começou na sexta-feira (24), quando o secretário de Estado e Governo se reuniu com ex-prefeitos da cidade, entre eles Rafael Diniz (Cidadania), antecessor do atual mandatário, confome destacou reportagem do Portal VIU!.
Por meio de suas páginas nas redes sociais, Wladimir cita o encontro e diz: “quem se mistura com porco, farelo come”.
A resposta veio no dia seguinte, quando Bacellar publicou em suas redes sociais uma carta intitulada “O Escorpião”, e menciona um suposto affair entre a primeira-dama e Rafael Diniz, no passado, para justificar um suposto ressentimento de Wladimir com o antecessor.
Não ficou só nisso. Wladimir voltou a retrucar neste sábado (25) e chama Rodrigo Bacellar de “frouxo” em outra postagem nas redes sociais.
A rigor, não há ofensa contra mulheres na carta de Bacellar, ainda que a OAB e a campanha governista tente impor esta narrativa. Foi, na verdade, uma resposta dura, citando um fato corriqueiro, a um ataque igualmente duro do próprio Wladimir contra o secretário de Governo.
Aliás, o ex-governador Anthony Garotinho já foi bem mais duro e ferino em ataques contra adversários do clã familiar.
Reunião de um deputado estadual hoje contou até com a presença ilustre de Rafael Diniz. Os iguais se atraem e a dobradinha combinada da eleição continua a todo vapor. Mentir pro povo nunca deu certo e o ditado popular continua de pé: quem se mistura com porco, farelo come.
— Wladimir Garotinho (@WladGarotinho) September 25, 2021
Vitimização gera repercussão
O que passaria despercebido (o suposto affair), na verdade, ganhou mais projeção com a própria tentativa de vitimização por parte do governo, o que acabou por provocar uma festa de memes nos grupos de Whatsapp.
A campanha governista não se ateve apenas às redes sociais. Os RPAs e cargos comissionados foram orientados a ligar para amigos na tentativa de impor a narrativa governista, chamando a ateção contra Bacellar.
Até a ex-governadora Rosinha Garotinho fez publicação nas redes sociais, no que seria uma defesa da honra da nora, mas o conteúdo de sua postagem também desfere ataques contra o secretário de governo. É um dramalhão que daria um roteiro para O Bem Amado, série de Dias Gomes, que fez sucesso na TV, protagonizada por Paulo Gracindo.
O inusitado de tudo, é que diante dos protestos e solidariedade, ninguém desmentiu o conteúdo da carta. Os neófitos não sabem ou esqueceram uma das máximas de Tancredo Neves: “Em política tem coisas que não se responde (ou se justifica), porque para os amigos não precisa e para os inimigos não adianta”.
Diante de tanta barulheira, o imaginário popular vai tirando as conclusões equivocadas e deturpadas. Criou-se uma situação em que vai obrigar aliados, daqui a pouco, a explicar que urubu não é pássaro de gaiola. Algo totalmente desnecessário.
Ofender a minha esposa com insinuações maldosas e ataques machistas mostra o quão desprezível é o atual secretário estadual de governo. Uma pena que o governador do RJ mantenha na sua ante sala um cidadão tão mau caráter. Me encare seu frouxo, mas não vai tocar na minha família.
— Wladimir Garotinho (@WladGarotinho) September 26, 2021
OAB transformada em divã
O envolvimento da OAB nesta briga doméstica e com integrantes da entidade nomeados em cargos comissionados é horrível para a imagem da entidade, ainda mais levando-se em conta que a primeira-dama não é advogada.
Sem contar que nos últimos anos não se tem notícia da OAB se manifestando em favor da classe ante um judiciário local moroso, em que a lentidão de processos tem desestimulado muitos advogados a manter-se na profissão. Como entidade classista, a Ordem vai se transformando em divã para discutir relação (DR).
Há uma constatação óbvia que precisa fica ficar muito bem explícitada: a esposa do prefeito atualmente é uma figura pública, que o acompanha em todos eventos públicos (algo, que por sinal se espera de uma primeira-dama), e o fato de ter namorado quem quer que seja é algo tão irrelevante quanto uma citação pública.
Ela também tem o nome contado para disputar a Câmara Federal, o que também não sugere nenhum ilegalidade. É até legítimo que tente disputar um mandado se tem aptidão para a vida pública.
Não há crime ou qualquer erro de contuda por parte de Tassiana Oliveria, assim como não há problema em qualquer pessoa falar sobre o tema, a não ser que seja assunto proíbido por elei. Não consta que seja.
Essa banalização da OAB em fofoca palaciana apequena a entidade que deveria se envolver em temas relevantes para sua classe ou para toda a sociedade. E vamos combinar: uma cidade repleta de problemas como Campos dos Goytacazes, brigas domésticas é o que menos interessa aos 500 mil habitantes do maior município do Norte Fluminense.
Rodrigo Bacellar não foi o primeiro alvo de Wladimir e tudo indica que não será o último. Na semana anterior o prefeito, também por meio das redes sociais, atacou o secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, Caio Vianna (PDT), seu adversário no segundo turno da eleição do ano passado.
Ele chamou o oponente de “candidato olímpiada” e falou que o secretário saiu de Campos para Niterói porque na cidade natal “a teta secou”. Os próprios aliados do prefeito consideraram o ataque desnecessário, tendo em vista que Caio Vianna está trabalhando na cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro.
Na cidade próxima, em Itaboraí, por sinal, Anthony Filho, irmão de Wladimir, também é nomeado em cargo comissionado.








