A treinadora de ginástica rítmica Ana Carolina Zumpano Dias foi condenada em primeira instância por assédio sexual contra uma atleta menor de idade. A decisão do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo, emitida na quinta-feira (19), determina que a acusada seja banida internacionalmente do esporte.
Ana Carolina Zumpano entrou com efeito suspensivo da medida, concedido de forma automática. Há, no total, três instâncias da Justiça nas quais a acusada pode recorrer. Até o trânsito em julgado, ela pode continuar atuando como treinadora.
Os assédios teriam acontecido entre os anos de 2018 e 2019, quando a jovem tinha 15 e 16 anos. Ana Carolina era treinadora da jovem em uma escola no estado de São Paulo e, segundo a denúncia oferecida pela procuradoria, teria se utilizado do papel de treinadora para persuadir a adolescente.
Em contato com a reportagem do Yahoo! Notícias, a relatora do processo no TJD de Ginástica de São Paulo, Suzi Teles Zyskind, confirmou que acolheu a denúncia da promotora Carolina Danieli Zullo na íntegra. Dessa forma, a técnica poderia sofrer um banimento internacional. A decisão do colegiado foi unânime.
“A técnica usou da hierarquia dela. Era um atleta menor de idade e sua treinadora, que tem influencia sobre uma menor vulnerável, que a [atleta] tem como figura de um ídolo. E utilizou-se disso para manipular a atleta”, disse a relatora.
Para Suzi Teles Zyskind, trata-se do segundo caso mais emblemático da história da ginástica brasileira, atrás apenas da série de assédios sexuais cometidos pelo então treinador de ginástica artística do Mesc, Fernando de Carvalho Lopes. Em 2019, ele foi banido do esporte.
A relatora lembrou ainda do caso da nadadora Joanna Maranhão, assediada sexualmente por um treinador quando tinha 9 anos.
Entenda o caso
O caso aconteceu entre 2018 e 2019, quando a menina tinha 15 anos, mas a denúncia foi oferecida pelos pais da jovem em 2021.
Cartas escritas a próprio punho, trocadas pelas duas, são os principais indícios de que Ana Carolina tinha um caso com a menor de idade. Nos documentos, Ana Carolina fala em “beijos” e ligações da treinadora, quando esta estaria alcoolizada, para a atleta. As duas costumavam viajar juntas para participar de competições de ginástica rítmica.
O caso é investigado pelo Tribunal de Justiça Desportiva da Ginástica. Segundo a procuradora responsável pelo caso, Carolina Danieli Zullo, o comportamento de Ana Carolina Zumpano Dias fica claro, especialmente pelas cartas anexadas ao processo.
A recomendação da procurado é que a treinadora seja “severamente punida, para que não possa mais atuar como técnica de ginastica, pois sua conduta fere todos os códigos de ética, conduta e disciplina da categoria e do esporte de forma geral”.
“É inaceitável que uma técnica que, supostamente, deveria estar orientando uma atleta, se ache no direito de ter comportamentos outros somente porque levou a atleta a conquistas. Este é o papel do treinador! Levar o atleta a conquistas, fazer com que ele se desafie, supere os seus limites”, diz a procuradora Carolina Daniela Zullo no processo, enviado à Comissão Disciplinar STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) de ginástica.
A treinadora Ana Carolina Zumpano Dias é formada em Educação Física e há 15 anos coordena equipes de ginástica rítmica. Ela e a adolescente teriam se conhecido na escola onde a menor de idade estudava, no estado de São Paulo. Atualmente, Ana Carolina tem um projeto social de ginástica rítmica em São Bernardo do Campo, onde continua treinando meninas.
Denúncia feita pelos pais
Os fatos relatados pelos pais datam de 2018 e 2019, período em que a menor tinha entre 15 e 16 anos. O pai descreve que Ana Carolina se aproximou da família e, com a confiança deles, passou a “doutrinar” a jovem, moldando os comportamentos dela. A adolescente chegou a ficar agressiva com os pais, se distanciando deles, segundo os relatos.
Além das mudanças de comportamento, as cartas trocadas entre treinadora e atleta expõe que havia um relacionamento amoroso. Ana Carolina confirmou que a carta apresentada no processo foi escrita por ela.
À Comissão Disciplinar do STJD de Ginástica, a procuradora fala também em abuso moral e “constrangimento patente”. A menor seria tratada de forma diferente por Ana Carolina, que chegou a dar presentes para a atleta. A situação gerou um mal-estar entre a equipe, que passou a destratar a jovem.
Após os pais denunciarem o ocorrido, a escola demitiu a técnica Ana Carolina Zumpano Dias.
O que diz a defesa da acusada
Procurada, a defesa da técnica não quis se pronunciar e iria se manifestar apenas nos autos.
Relembre o caso de Fernando de Carvalho Lopes
Outro caso emblemático na ginástica, citado pela relatora Suzi Teles Zyskind, foi o de Fernando Carvalho Lopes.
Em 31 de março de 2019, Fernando de Carvalho Lopes foi banido definitivamente do esporte. O ex-treinador de ginástica artística foi condenado por assédio sexual e moral contra atletas, quando era técnico do Mesc, em São Bernardo do campo.
Os crimes teriam acontecido entre 1999 e 2016, contra crianças e adolescentes.
A decisão foi tomada de forma unânime pelo Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação Brasileira de Ginástica.
As informações são do Yahoo.








