2016 não será apenas ano de eleição na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ. Será o ano da desmistificação, desvendando a real personalidade do ex-prefeito Arnaldo Vianna, que por 18 anos interpretou o papel de “vítima” do ex-padrinho Anthony Garotinho |
Sempre tido como “bonachão”, “pai dos pobres”, “prefeito do coração”, o ex-prefeito Arnaldo Vianna assume este ano uma postura agressiva, vociferando justamente contra o próprio filho Caio Vianna, candidato à sucessão pelo PDT, a quem beijava na face até recentemente com a seguinte frase: “Deixei o melhor de mim no PDT”. Cai por terra, portanto, a figura de “prefeito do coração”, e emerge um Arnaldo ranzinza, dúbio, ressentido e virulento, que não hesita em expressar este sentimento por meio de mensagens gravadas em rede social.
Imagem oposta
Diante da opinião pública, por outro lado, depois da personificação de algoz, emerge um Garotinho redimido, incompreendido no calor de guerras eleitorais passadas e como o único político contemporâneo que soube reconquistar o poder em Campos sem o domínio da máquina administrativa. Expressa também a imagem de pai protetor, que entrou de corpo e alma na eleição da filha Clarissa Garotinho, a segunda deputada mais votada no Estado do Rio, e pai adotivo de crianças órfãs. Diante dos fatos ele se agiganta, enquanto que a Arnaldo se apequena, voltando a ter um tamanho menor do que o do Arnaldo de 1992, quando se elegeu vereador pela primeira vez.
Despedida
Não há nada de antagônico entre a conduta de Arnaldo Vianna e a personalidade do ex-prefeito. Como costuma dizer o ex-prefeito de Macaé Sílvio Lopes, “as pessoas não mudam, apenas se revelam”. Arnaldo se revela justamente em 2016, quando praticamente encerrará suas pretensões como candidato. Com uma penca de processos e condenações, não terá registro para disputar a eleição, mas insistirá e escolheu o próprio filho como adversário. Nos próximos 15 anos, pelo menos, dificilmente estará apto para disputar eleições, caso prevaleça a atual legislação. Aos 70 anos, a idade já cria barreiras. Neste caso, 2016 fecha as portas para mais um personagem na política local.
Retorno ao Estado
Garotinho sai da função de secretário de governo em dezembro para voltar ao cenário regional. Em Campos, juntamente com a esposa Rosinha Garotinho, conseguiu passar pela crise econômica socorrendo o Estado do Rio. A prefeitura assumiu o Restaurante Popular Romilton Bárbara, que estava em situação deplorável, evitou o fechamento do IML e ofereceu parcerias ao governador interino Francisco Dornelles na área de segurança. Sai de uma tarefa local para entrar no jogo leve e desembaraçado para disputar o governo do Estado em 2018.








